Estudante vítima de violência policial morre na Colômbia

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Publicado terça-feira, 26 de novembro de 2019 as 11:01, por: CdB

Dilan Cruz, de 18 anos, estava hospitalizado após ser atingido na cabeça por granada de gás lacrimogêneo. Incidente gera debate sobre ações policiais contra manifestantes e pode acirrar protestos contra o governo.

Por Redação, com DW – de Bogotá

A morte do estudante Dilan Cruz, de 18 anos, ferido no último sábado pela polícia durante uma manifestação pacífica em Bogotá, comoveu a Colômbia na segunda-feira, no quinto dia de protestos contra o presidente Iván Duque. Observadores acreditam que o incidente contribuirá para acirrar os ânimos nas manifestações previstas para esta terça.

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Cruz morreu no Hospital San Ignacio, onde fora internado após ser ferido gravemente na cabeça por uma granada de gás lacrimogêneo disparada por integrantes do Esmad, esquadrão antimotins da polícia.

Nos últimos dias, centenas de pessoas fizeram vigília diante do hospital em que o estudante fora internado, com velas e cartazes. Após o anuncio da morte do jovem, foi realizado um protesto nas imediações do hospital. Manifestantes culparam a polícia pela morte do rapaz.

Cruz se tornou a primeira vítima fatal de violência policial na Colômbia desde o início da atual onda de protestos e se junta a outras três pessoas que morreram em tumultos na última quinta-feira nas cidades de Buenaventura e Candelaria, no departamento de Valle del Cauca, no sudoeste do país.

O presidente da Colômbia, Iván Duque, lamentou a morte do estudante em sua conta no Twitter. “Lamentamos profundamente a morte do jovem Dilan Cruz. Expressamos nossas sinceras condolências à sua mãe, seu avô e suas duas irmãs. Reitero minha solidariedade com esta família”, escreveu.

O governante convocou para esta terça-feira uma reunião com as centrais sindicais que convocaram os protestos contra seu governo. Numa tentativa de apaziguar os ânimos, Duque havia proposto um diálogo nacional com todos os setores da sociedade.

Os protestos

A Colômbia vem sendo abalada por protestos e tumultos desde uma greve geral realizada na semana passada. O estopim das manifestações foram as propostas do governo de flexibilizar o mercado de trabalho e o sistema previdenciário, mas outras causas também foram adicionadas por diferentes setores da sociedade, como sindicatos, estudantes, camponeses, partidos de oposição e indígenas. Estes últimos pedem maior proteção, após o assassinato de 134 membros de suas comunidades desde o início do governo de Duque.

Uma queixa em comum a todos os grupos é à política de segurança do governo, centrada no combate ao narcotráfico, além do assassinato de vários líderes sociais e da intenção de modificar o acordo de paz assinado entre o governo anterior e os guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Alguns ex-membros da guerrilha também participaram dos protestos.

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