Estudantes protestam durante formatura em Hong Kong

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Publicado quinta-feira, 7 de novembro de 2019 as 10:54, por: CdB

Os estudantes desafiaram a proibição do uso de máscaras imposta pelo governo em outubro em uma tentativa de coibir manifestações por vezes violentas que ocorrem no território autônomo chinês há mais de cinco meses.

Por Redação, com Reuters – de Hong Kong

Estudantes de Hong Kong, muitos dos quais com máscaras pretas proibidas pelo governo, cantaram frases de protesto durante sua formatura na Universidade Chinesa nesta quinta-feira, alguns com cartazes que diziam “Hong Kong Livre, Revolução Agora”.

Formandos com máscaras posam para foto após cerimônia de formatura em Hong Kong
Formandos com máscaras posam para foto após cerimônia de formatura em Hong Kong

Os estudantes desafiaram a proibição do uso de máscaras imposta pelo governo em outubro em uma tentativa de coibir manifestações por vezes violentas que ocorrem no território autônomo chinês há mais de cinco meses.

Usando becas tradicionais, cerca de 1 mil alunos e alunas cantaram ao longo do trajeto para a cerimônia de formatura, pedindo que o governo responda às “cinco demandas, nenhuma a menos”, que incluem sufrágio universal para escolher o líder da cidade.

China

Um homem que cantava o hino nacional da China e segurava uma faca foi preso por agentes de segurança.

O início dos protestos foi motivado por uma lei de extradição, agora anulada, que permitiria que pessoas fossem encaminhadas à China para serem julgadas, mas as reivindicações evoluíram para pedidos por democracia, fim da interferência chinesa nas liberdades prometidas e inquéritos independentes sobre brutalidade policial, entre outras demandas.

– Ainda que estejamos todos exaustos, não devemos desistir – disse Kelvin, um formando de 22 anos.

A universidade informou que interrompeu a cerimônia logo após a entrega dos diplomas.

A China nega interferir na cidade de Hong Kong e culpa países ocidentais por causarem problemas.

Confronto em shopping

Manifestantes contra o governo de Hong Kong lotaram um shopping no domingo e entraram em confronto com a polícia, durante o qual um homem com uma faca cortou várias pessoas e aparentemente arrancou parte da orelha de um político local.

Uma corrente humana em Cityplaza, no subúrbio oriental de Taikoo Shing, se transformou em um conflito com a polícia, subindo e descendo escadas rolantes onde famílias com crianças pequenas estavam vendo vitrines apenas alguns minutos antes.

A polícia disse que os manifestantes vandalizaram um restaurante no shopping após uma série de gritos pacíficos no 22º fim de semana consecutivo de protestos de pessoas de Hong Kong furiosas com a percepção de uma intromissão chinesa na ex-colônia britânica que voltou ao domínio chinês em 1997.

Várias pessoas ficaram feridas, e um homem de camiseta branca, que se acredita ser o dono da faca, foi espancado com paus por manifestantes. Outro homem estava deitado em uma poça de sangue na calçada do lado de fora do shopping.

O conselheiro do distrito democrata Andrew Chiu estava entre os feridos, com sangue pingando da orelha. O parlamentar do Partido Democrata James To disse a repórteres que o homem com faca arrancou parte da orelha de Chiu e cortou outras pessoas.

Ele afirmou que os outros feridos estavam em condições mais graves do que Chiu, que foi visto na TV segurando o pedaço da orelha em um saco plástico com mãos ensanguentadas.

Ataque

Uma faca de cozinha estava no chão do lado de fora do shopping.

A polícia fez várias prisões quando os manifestantes gritaram “polícia negra!”, uma referência à sua brutalidade. O impasse durou até a noite, com os moradores zombando da polícia em ruas e nas varandas dos apartamentos próximos, cantando “saiam agora” e outros slogans.

A polícia disparou gás lacrimogêneo do lado de fora do East Hotel, em Taikoo Shing, para tentar dispersar a multidão. Eles então foram embora.

– Esses policiais não são mais o que costumavam ser – disse Julie, 24 anos, mostrando o dedo médio à polícia. “Eles vêm aqui e nos empurram. Não está certo.”

A polícia disparou também spray de pimenta contra os repórteres quando eles chegaram perto demais. Um jornalista foi preso.

– Isso está fora de controle. Este foi um protesto pacífico. E essas pessoas são apenas residentes locais, moramos por aqui – disse Desmond Fong, de 28 anos, que trabalha com marketing. Ele estava comprando tênis quando o protesto começou.

A polícia disse que estava investigando os ataques com faca.

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