Estudo indica que imunidade ao coronavírus é temporária

Arquivado em: Destaque do Dia, Saúde, Uncategorized, Vida & Estilo
Publicado quarta-feira, 15 de julho de 2020 as 11:07, por: CdB

Pesquisadores britânicos monitoraram os níveis de anticorpos contra a covid-19 em 90 pacientes recuperados. Resultados sugerem que o contato com o vírus só fornece imunidade por alguns meses, como no caso da gripe.

Por Redação, com DW – de Londre/Nova York

Pacientes que se recuperam de covid-19 possivelmente perdem a imunidade num prazo de meses, indica um estudo divulgado na segunda-feira. Segundo os autores, do King’s College London, a constatação poderá ter influência “significativa” sobre a forma como os governos vão gerir a pandemia.

Após três meses, apenas 16,7% mantinham níveis altos de proteínas neutralizadoras do Sars-Cov-2, segundo o estudo
Após três meses, apenas 16,7% mantinham níveis altos de proteínas neutralizadoras do Sars-Cov-2, segundo o estudo

Pela primeira vez, os pesquisadores monitoraram por um período os níveis de anticorpos em mais de 90 pacientes confirmados do novo coronavírus. Mesmo os que só apresentaram sintomas leves haviam desenvolvido um certo grau de reação imunológica. Esta reação foi classificada como “potente” em 60% do grupo, nas primeiras semanas após o contágio.

Após três meses, contudo, apenas 16,7% mantinham níveis altos de proteínas neutralizadoras do Sars-Cov-2; e passados outros 90 dias, vários dos participantes não possuíam mais anticorpos detectáveis no sangue.

Ao se defrontar com um perigo externo, como um vírus, o organismo mobiliza determinadas células para rastrear e eliminar o culpado. No processo, são produzidas as proteínas conhecidas como anticorpos, programadas para atacar o antígeno específico que estão combatendo, como uma chave moldada para se encaixar numa determinada fechadura.

Enquanto o paciente apresente suficientes anticorpos, terá imunidade à doença, estando apto a rechaçar futuras infecções. A nova pesquisa do King’s College sugere, porém, que não se pode contar automaticamente com a imunidade ao novo coronavírus: talvez ela só dure alguns meses, a exemplo do que ocorre com outros vírus, como o da gripe.

Em junho, uma pesquisa comandada por cientistas chineses já havia apontado que os anticorpos desenvolvidos pelo corpo humano após uma infecção podem durar apenas dois ou três meses. O estudo também indicou que pacientes assintomáticos infectados pelo Sars-Cov-2 podem ter uma resposta imunológica mais fraca do que aqueles que desenvolveram os sintomas, que incluem febre e tosse.

Vacina

A vacina em fase de desenvolvimento contra o novo coronavírus da empresa Moderna foi bem tolerada e criou anticorpos neutralizantes em todos os participantes do estudo, anunciaram na terça-feira os pesquisadores responsáveis na revista especializada The News England Journal of Medicine.

A Moderna foi a primeira empresa a iniciar já em março testes clínicos em voluntários
A Moderna foi a primeira empresa a iniciar já em março testes clínicos em voluntários

A candidata a vacina, chamada ARNm-1273, está sendo desenvolvida por pesquisadores do Instituto Nacional de Alergias e Enfermidades Infecciosas (NIAID, en inglês), que é parte dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH, en inglês), e pela empresa de biotecnologia Moderna, con sede em Cambridge (Massachusetts).

Em nenhum dos 45 participantes, com idades entre 18 e 55 anos, ocorreram efeitos colaterais graves, mas mais da metade relatou reações leves ou moderadas, como cansaço, dor de cabeça, calafrios, dores musculares ou dores no local da injeção.

A Moderna anunciou que vai entrar na fase final dos ensaios clínicos da sua vacina contra o novo coronavírus em 27 de julho, devendo durar até 27 de outubro.

A empresa anunciou através de comunicado que 30 mil pessoas vão participar nesta fase decisiva do ensaio clínico nos Estados Unidos. Metade dos participantes vai receber uma dose de 100 microgramas e as restantes, um placebo.

O objetivo principal da próxima fase é prevenir quaisquer sintomas da covid-19, e o objetivo secundário é a prevenção da infecção pelo novo coronavírus.

A Moderna foi a primeira empresa a iniciar já em março testes clínicos em voluntários, colocando a companhia na vanguarda da corrida global por uma vacina contra a doença, que já infectou mais de 13,3 milhões de pessoas e matou cerca de 580 mil no mundo.

A tecnologia explorada pela Moderna, baseada em RNA-mensageiro, procura fornecer ao corpo humano as informações genéticas necessárias para o proteger preventivamente do novo coronavírus.