Estudo projeta 90 mil mortes por coronavírus até agosto no Brasil

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Publicado sábado, 16 de maio de 2020 as 11:52, por: CdB

Com o avanço da pandemia, estudos passaram a apontar o Brasil como um futuro epicentro da transmissão do Sars-Cov-2 no mundo. Segundo o estudo da Universidade de Washington.

Por Redação, com Sputnik – de Brasília

A Universidade de Washington divulgou um estudo que estima que o Brasil pode chegar a 90 mil mortes por covid-19 até agosto. Sobre o tema, à agência russa de notícias Sputnik conversou com o médico Alexandre Telles, que avaliou que a situação brasileira atual torna o quadro possível.

Estudo projeta 90 mil mortes até agosto no Brasil
Estudo projeta 90 mil mortes até agosto no Brasil

O Brasil tem atualmente 218.223 casos confirmados de covid-19, além de 13.993 mortes causadas pela doença. O controle da pandemia no país tem sido marcado por desencontros protagonizados pelo presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, que diverge de recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Com o avanço da pandemia, estudos passaram a apontar o Brasil como um futuro epicentro da transmissão do Sars-Cov-2 no mundo. Segundo o estudo da Universidade de Washington, divulgado na terça-feira, o país pode chegar a até 90 mil mortos até o dia 4 de agosto, atrás apenas dos Estados Unidos, país que segundo a universidade pode chegar a 147 mil óbitos causados pela covid-19 no mesmo período.

Para o médico Alexandre Telles, presidente do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro, a projeção do estudo apresenta um quadro possível diante da forma como o Brasil vem lidando com a pandemia somada às características de transmissão do vírus.

– A gente sabe que esse coronavírus tem um potencial muito grande de propagação, de infectar muitas pessoas – aponta Alexandre Telles em entrevista à Sputnik.

Telles ressalta que o quadro tétrico apresentado pelo estudo é reforçado pelo sucateamento do Sistema Único de Saúde (SUS), considerado uma “fortaleza” pelo médico e que precisa “urgentemente” de investimentos.

– A gente tem que urgentemente reverter (o sucateamento) porque o SUS é patrimônio de todo brasileiro e ele é nesse momento uma fortaleza muito grande para a gente – avalia.

Rio de Janeiro

O médico explica que o Rio de Janeiro, onde atua, é um exemplo dessa necessidade, uma vez que há no município 1,3 mil pessoas à espera de um leito de hospital. O Estado tem atualmente 19.987 casos e 2.438 mortes causadas pela covid-19.

Telles ressalta que é fundamental que se aprofunde o isolamento social nas cidades brasileiras, superando atitudes que ele classificou como “individualistas”, como não respeitar a quarentena.

– Superar isso e pensar de um ponto de vista mais coletivo, de adotar as medidas, utilizar as máscaras e só sair quando for extremamente necessário. É uma doença altamente contagiosa, é uma doença na qual um grande número de pessoas necessita de leitos de CTI (Centro de Tratamento Intensivo) e a gente não tem essa capacidade instalada no Sistema Único de Saúde nesse momento – afirma, acrescentando que sem eficiência no isolamento, as mortes devem aumentar.

O confinamento

O médico também comenta a possibilidade do chamado lockdown, o confinamento das pessoas em suas casas. A entidade que Telles representa, o Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro, apoia a medida, mas pondera pela necessidade de garantia de direitos sociais aos cidadãos caso o confinamento seja adotado.

– Infelizmente, o governo federal tem tomado poucas medidas do ponto de vista econômico-social para ajudar que as pessoas permaneçam em casa, porque o lockdown não pode ser simplesmente a gente trancar as pessoas em casa sem garantir direitos sociais que estão na Constituição, (como) moradia, alimentação. (…) E aí um auxílio de R$ 600,00 não é algo satisfatório para que as pessoas consigam manter as necessidades delas – diz.

Alexandre Telles ressalta, porém, que sem a devida quantidade de testes para detecção do novo coronavírus no Brasil, será impossível lutar contra a doença.

– É uma situação muito difícil em que, se a gente não tem esses dados, os testes, a gente não consegue realmente fazer o planejamento das ações em Saúde – conclui.

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