EUA admitem contatos mas negam incentivo ao golpe

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Publicado terça-feira, 16 de abril de 2002 as 16:32, por: CdB

O governo norte-americano admitiu, nesta terça-feira, que manteve reuniões com opositores do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, nos últimos meses, mas negou que tenha apoiado ou incentivado o golpe da semana passada no país sul-americano.

Em entrevista coletiva, o porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, afirmou que membros do governo de Washington encontraram-se com representantes de diversos setores da Venezuela. “Entre eles, estavam representantes do empresariado, inclusive o presidente da Câmara de Comércio, o presidente interino Pedro Carmona, e também legisladores pró-Chavez”, esclareceu. Em seguida, Fleischer negou, categoricamente, qualquer envolvimento dos Estados Unidos com a manobra que retirou Chávez do poder por 48 horas.

“Nossa mensagem foi conseqüente. A situação política na Venezuela tem que ser resolvida pelos venezuelanos de maneira pacífica, democrática e constitucional. Dissemos explicitamente aos dirigentes de oposição que os Estados Unidos não aprovariam um golpe”, afirmou Fleischer.

A declaração do porta-voz foi uma resposta nítida à edição desta terça-feira do jornal The New York Times, que publicou que altos funcionários do governo do presidente George W. Bush haviam se reunido diversas vezes, nos últimos meses, com dirigentes da aliança que destituiu Chávez temporariamente. O jornal informou que suas fontes no governo apresentaram versões contraditórias sobre a mensagem de Washington à oposição venezuelana sobre as formas aceitáveis de derrubar Chávez.

O presidente, líder da “revolução bolivariana”, retornou triunfante ao poder no domingo, depois que seus partidários tomaram as ruas de todo o país para exigir sua volta e que soldados leais acabaram com o golpe liderado pelas maiores organizações empresariais e trabalhistas do país.

Enquanto um membro do governo norte-americano insistiu no uso de meios constitucionais visando à saída de Chávez, uma fonte no Pentágono, citada pelo Times, disse que a mensagem foi menos categórica. Segundo esta fonte, os opositores a Chávez receberam “sinais informais e sutis” de que o governo do presidente George W. Bush não gostava do líder venezuelano.

Fleischer alegou não estar informado sobre tais sinais – mas também não negou a existência dos mesmos. Um fato incontestável é que altos assessores de Bush apressaram-se em elogiar a ascensão de Carmona à presidência, tão logo a queda de Chávez foi anunciada, na madrugada de última sexta-feira.

O porta-voz do Departamento de Estado, Phil Reeker, procurou colocar panos quentes na polêmica. “Estamos encorajados com a convocação que Chávez fez por uma reflexão nacional”, disse. “E pedimos que todos os venezuelanos aproveitem esta oportunidade para promover a reconciliação nacional e o diálogo genuinamente democrático”.