EUA atacam talebãs no Afeganistão após acordo de paz

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Publicado quarta-feira, 4 de março de 2020 as 14:23, por: CdB

Porta-voz das forças norte-americanas diz que bombardeio teve como meta defender as forças de segurança afegãs, alvo de agressões. Investida ocorre dias após assinatura de tratado entre insurgentes e Washington.

Por Redação, com DW – de Washington

As tropas norte-americanas no Afeganistão bombardearam nesta quarta-feira combatentes talebãs para defender as forças de segurança afegãs. Este foi o primeiro ataque desde que o governo dos Estados Unidos e os insurgentes assinaram, no último sábado, um acordo histórico que prevê a retirada das forças norte-americanas do país.

Caça dos EUA em voo sobre o Afeganistão
Caça dos EUA em voo sobre o Afeganistão

O porta-voz das forças norte-americanas no Afeganistão, coronel Sonny Leggett, informou no Twitter que “os EUA realizaram um bombardeio aos combatentes talebãs que estavam atacando um posto de controle” das forças de segurança afegãs na província de Helmand, no sul do país.

– Este foi nosso primeiro bombardeio contra o Talebã em 11 dias – disse Leggett, enfatizando que foi uma ação “defensiva” para “interromper” o ataque dos insurgentes.

O porta-voz lembrou que “só no dia 3 de março os talebãs realizaram 43 ataques aos postos de controle das forças de segurança afegãs em Helmand”. Os insurgentes afirmaram que estavam lutando para “libertar o Afeganistão das tropas internacionais”.

Os ataques

– Os líderes talebãs prometeram à comunidade internacional que reduziriam a violência e não aumentariam os ataques. Pedimos aos talebãs para que parem com os ataques desnecessários e honrem os seus compromissos. Como temos demonstrado, defenderemos os nossos parceiros quando necessário – frisou Leggett.

No entanto, o porta-voz amenizou o tom da mensagem em uma nova publicação nas redes sociais. “Para ser claro, estamos comprometidos com a paz, mas temos a responsabilidade de defender os nossos parceiros das forças de segurança afegãs. Os afegãos e os EUA honraram os seus acordos, no entanto, os talebãs parecem estar dispostos a desperdiçar esta oportunidade”, argumentou.

O bombardeio ocorre após o presidente dos EUA, Donald Trump, dizer que teve uma “boa conversa” com um dos líderes talebãs, Mullah Abdul Ghani Baradar, na qual ambos concordaram que “não haverá violência” após a assinatura histórica do acordo em Doha, no Qatar.

Os talebãs, no entanto, já tinham confirmado nesta terça-feira que o período de redução da violência acertado com os norte-americanos antes da assinatura do acordo em Doha no último fim de semana havia terminado.

Conflito no Afeganistão

A iniciativa pretende por fim a 18 anos de conflito no Afeganistão. Cerca de 3.500 militares dos EUA e de países da coalizão liderada pelos norte-americanos morreram no país desde 2001. O envolvimento dos EUA no país teve início após os atentados de 11 de Setembro, conduzidos pela rede terrorista Al-Qaeda, à época baseada no Afeganistão.

Como parte do acordo, o número de militares estrangeiros no Afeganistão será reduzido de cerca de 14 mil para 8,6 mil até julho deste ano. O restante da retirada será feito de forma gradual ao longo dos meses seguintes, caso o Talebã cumpra sua parte no acordo.

Os talebãs culparam o governo afegão por esse aumento da violência, referindo-se aos comentários do presidente, Ashraf Ghani, sobre a libertação dos prisioneiros do grupo.

Ghani disse no domingo, um dia após a assinatura do acordo, que seu governo não prometeu libertar 5 mil prisioneiros talebãs, algo que, segundo os insurgentes, havia sido combinado com os norte-americanos.

O governo afegão argumentou que a libertação dos prisioneiros pode ser discutida nas conversas que serão realizadas entre o Talebã e as autoridades.