EUA envia especialistas à África para examinar guerra na Libéria

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Publicado sexta-feira, 4 de julho de 2003 as 18:08, por: CdB

O presidente norte-americano, George W. Bush, determinou que o Pentágono envie especialistas à África Ocidental para trabalhar com as Nações Unidas e outros países da região no que for necessário para conter a guerra civil na Libéria, disse o porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer.

Esses especialistas ficarão encarregados do planejamento preliminar caso os EUA decidam enviar tropas ao país fundado 150 anos atrás por escravos alforriados nos Estados Unidos.

– Certamente, se o presidente decidir enviar as tropas, é importante que toda as informações adequadas venham antes – disse Fleischer.

De acordo com Fleischer, Bush ainda não decidiu se vai enviar tropas para pôr fim à guerra civil liberiana. A decisão pode ser tomada ainda no fim-de-semana, antes do embarque de Bush para uma viagem de cinco dias à África.

Segundo o porta-voz, o presidente norte-americano considerou animadora a promessa de renúncia feita na sexta-feira pelo presidente da Libéria, Charles Taylor, e pediu a ele que se apresse em deixar o poder.

Bush considera a renúncia de Taylor essencial para acabar com a violência política na Libéria, que já dura 14 anos.

– O presidente pede ao senhor Taylor que complete com fatos as suas encorajadoras palavras, a fim de que a estabilidade na região possa ser alcançada e de que a paz se torne efetiva, de modo que a vida do povo liberiano e da região possa melhorar – disse Fleischer.

Taylor, indiciado por crimes de guerra em um tribunal organizado pela ONU, sofre crescente pressão desde a ofensiva rebelde de junho sobre a capital, Monróvia, que deixou cerca de 700 mortos. Os guerrilheiros controlam cerca de dois terços do país.

Em reunião com líderes religiosos em seu palácio, Taylor disse que está disposto a renunciar, mas pediu à comunidade internacional que envie tropas para evitar o caos.

– Vejo-me renunciando para entregar o poder a um regime transitório. Não tenho problemas com isso. A qualquer hora, a qualquer dia – afirmou.

Uma fonte oficial da Nigéria, país mais importante da região, disse que Taylor já aceitou uma oferta de asilo político.

Comentando a condição imposta por Taylor de envio das tropas, Fleischer disse que, “se for verdade, o momento exato será algo desenvolvido no devido momento”.

Ele insistiu na necessidade de que a renúncia aconteça rapidamente.

– Ele precisa sair, sair agora, sair rapidamente – disse.

Em Stuttgart, Alemanha, funcionários do comando militar norte-americano na Europa, que eventualmente fornecerá as tropas, disseram que a situação está sendo acompanhada de perto, mas que nenhuma ordem específica foi recebida até agora.

Fontes de defesa dos EUA disseram na quarta-feira que o governo pode enviar centenas de soldados para participar de um contingente mais amplo, que inclua outros países. O Pentágono já tem planos para usar até 2.000 soldados nessa operação.

As autoridades disseram também que, caso seja necessário um esquema para proteger a embaixada norte-americana em Monróvia, cerca de 50 marines dos EUA hoje estacionados na base naval de Rota, na Espanha, poderiam chegar no país em seis horas.