EUA garantem 300 milhões de doses de possível vacina contra coronavírus

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Publicado quinta-feira, 21 de maio de 2020 as 13:17, por: CdB

Os Estados Unidos garantiram quase um terço do 1 bilhão de doses de uma possível vacina contra covid-19 da AstraZeneca com uma promessa de até US$ 1,2 bilhão no momento em que as maiores potências do mundo se apressam em conseguir medicamentos contra a doença.

Por Redação, com Reuters – de Bengaluru/Londres

Os Estados Unidos garantiram quase um terço do 1 bilhão de doses de uma possível vacina contra covid-19 da AstraZeneca com uma promessa de até US$ 1,2 bilhão no momento em que as maiores potências do mundo se apressam em conseguir medicamentos contra a doença e poder reativar suas economias.

EUA garantem 300 milhões de doses de possível vacina contra covid-19 da AstraZeneca
EUA garantem 300 milhões de doses de possível vacina contra covid-19 da AstraZeneca

Embora a eficiência contra o coronavírus não tenha sido comprovada, as vacinas estão sendo vistas pelos líderes mundiais como a única maneira de ressuscitar suas economias travadas e até conseguir uma vantagem diante de concorrentes globais.

Depois que o presidente norte-americano, Donald Trump, exigiu uma vacina, o Departamento de Saúde dos EUA concordou em providenciar até US$ 1,2 bilhão para acelerar o desenvolvimento da vacina da AstraZeneca e garantir 300 milhões de doses para o país.

– Este contrato com a AstraZeneca é um grande marco no trabalho da Operação Dobra Espacial por uma vacina segura, eficiente e amplamente disponível até 2021 – disse o secretário de Saúde, Alex Azar.

AstraZeneca

A vacina, antes conhecida como ChAdOx1 nCoV-19 e agora como AZD1222, foi desenvolvida pela Universidade de Oxford e licenciada para a farmacêutica britânica AstraZeneca. A imunidade ao novo coronavírus não é garantida, assim como o uso de vacinas.

O acordo norte-americano permite um teste clínico de estágio adiantado, ou Fase III, da vacina com 30 mil pessoas nos EUA.

Sediada em Cambridge, na Inglaterra, a AstraZeneca disse que finalizou acordos de ao menos 400 milhões de doses da vacina e garantiu a capacidade de fabricação de 1 bilhão de doses, e as primeiras remessas devem começar em setembro.

Hoje, a empresa mais valiosa do índice blue-chip FTSE 100 britânico, já concordou em entregar 100 milhões de doses a moradores do Reino Unido, 30 milhões em setembro. Ministros prometeram que a nação terá acesso prioritário à vacina.

Devastação

Como líderes de todo o mundo se veem diante da maior devastação econômica desde a Segunda Guerra Mundial e mais de 325 mil mortes, muitos estão com pressa de obter uma vacina.

O governo norte-americano já fechou acordos para apoiar o desenvolvimento de vacinas com Johnson & Johnson, Moderna e Sanofi, provocando o temor de que os países mais ricos do globo consigam proteger seus cidadãos antes dos outros.

O chefe da Sanofi irritou o governo da França no início deste mês ao dizer que doses de vacina produzidas nos EUA poderiam ir primeiro para pacientes norte-americanos, dado que o país apoiou financeiramente a pesquisa.

Receio de vacina

Um quarto dos norte-americanos tem pouco ou nenhum interesse em tomar uma vacina contra coronavírus, revelou uma pesquisa Reuters/Ipsos publicada nesta quinta-feira, e alguns expressaram o receio de que a rapidez recorde com que candidatas a vacina estão sendo desenvolvidas possa comprometer a segurança.

Embora especialistas de saúde digam que uma vacina para evitar infecções é necessária para se voltar à vida normal, a pesquisa aponta para uma possível questão de confiança no governo Trump, já criticado por suas orientações de segurança frequentemente contraditórias durante a pandemia.

Cerca de 36% dos entrevistados disseram estar menos dispostos a tomar uma vacina se o presidente dos EUA, Donald Trump, disser que ela é segura, e 14% ficariam mais interessados.

A maioria dos participantes da pesquisa feita com 4.428 adultos entre 13 e 19 de maio disse que seria muito influenciada por orientações da Agência de Alimentos e Remédios ou resultados de estudos científicos de larga escala que mostrassem que a vacina é segura.

Especialistas de saúde

Menos de dois terços dos entrevistados disseram estar “muito” ou “algo” interessados em uma vacina, uma cifra que alguns especialistas de saúde esperavam ser mais alta, dada a grande conscientização a respeito da covid-19 e as mais de 92 mil mortes relacionadas ao coronavírus só nos EUA.

– É um pouco menor do que pensei que seria com toda a atenção na covid-19 – disse o doutor William Schaffner, especialista em doenças infecciosas e vacinas do Centro Médico da Universidade Vanderbilt de Nashville. “Eu esperaria algo em torno de 75%”.

Quatorze por cento dos consultados disseram que não têm nenhum interesse em tomar uma vacina, e 10% disseram não estar muito interessados. Outros 11% não tinham certeza.

Estudos estão em andamento, mas especialistas estimam que ao menos 70% dos norte-americanos precisariam estar imunes por meio de uma vacina ou uma infecção anterior para se chegar ao que é conhecido como “imunidade de rebanho”, quando uma quantidade suficiente de pessoas é resistente a uma doença infecciosa para evitar sua disseminação.

Especialistas

Trump prometeu ter uma vacina pronta até o final do ano, mas normalmente é preciso 10 anos ou mais para se desenvolver e testar a segurança e a eficiência destes medicamentos. Muitos especialistas acreditam que uma vacina totalmente testada e aprovada pelo governo não estará amplamente disponível antes de meados de 2021.

Existem mais de 100 candidatas a vacina contra a covid-19 sendo desenvolvidas globalmente, inclusive algumas já nos testes clínicos em humanos.

A pesquisa Reuters/Ipsos foi realizada pela internet, em inglês, em todo o território norte-americano, e tem intervalo de credibilidade, uma medida de precisão, de mais ou menos dois pontos percentuais.

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