EUA: juiz proíbe separação de crianças imigrantes e ordena que famílias sejam reunidas

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Publicado quarta-feira, 27 de junho de 2018 as 12:26, por: CdB

O juiz Dana Sabraw concedeu à União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) uma liminar em um processo apresentado devido às separações de famílias

Por Redação, com Reuters – de Washington:

Um juiz norte-americano decidiu na terça-feira que agentes de imigração dos Estados Unidos não podem mais separar pais imigrantes de seus filhos quando detidos por cruzarem ilegalmente a fronteira dos EUA com o México, e que o governo precisa reunir as famílias que foram separadas.

Crianças brincam em abrigo para crianças imigrantes em Harlingen, no Texas

O juiz Dana Sabraw concedeu à União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) uma liminar em um processo apresentado devido às separações de famílias.

Mais de 2,3 mil crianças imigrantes foram separadas de seus pais depois que o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, iniciou uma política de “tolerância zero” no início de maio, buscando processar todos os adultos que cruzassem a fronteira ilegalmente, incluindo aqueles acompanhados por crianças.

Sabraw ordenou que o governo reúna pais com seus filhos menores de 5 anos dentro de 14 dias após a liminar, e crianças de 5 anos ou mais dentro de 30 dias a partir da decisão.

Crise imigratória divide Congresso dos EUA

Controlado pelos republicanos, o Congresso dos Estados Unidos está abalado por disputas internas e dificilmente agirá de maneira decisiva nesta semana no que diz respeito à crise imigratória na fronteira com o México, oferecendo poucas respostas quanto ao futuro de pais e filhos imigrantes separados.

O decreto assinado subitamente pelo presidente Donald Trump na semana passada para acabar com a política de separações de famílias que atravessam a fronteira ilegalmente não explicou como suas diretrizes imigratórias agressivas podem ser ajustadas para manter as famílias intactas, abrigá-las e verificar sua situação legal.

O presidente republicano recuou diante da revolta global crescente, inclusive com as imagens de crianças em jaulas. Primeiro ele exortou o Congresso a agir rapidamente e aprovar uma legislação na esteira de seu decreto, depois disse que os parlamentares deveriam deixar o assunto de lado.

Ele voltou a um de seus temas favoritos nesta terça-feira ao pedir ao Congresso um aumento no financiamento bancado pelo contribuinte para construir um muro ao longo da divisa EUA-México.

Lei de imigração

Em meio a tantos sinais cruzados, a Câmara dos Deputados se encaminha para votar nesta quarta-feira um projeto de lei de imigração abrangente que impediria a separação de crianças imigrantes de seus pais e providenciaria 25 bilhões de dólares para o custeio do muro, mas muitos acreditam que a medida fracassará.

– Deixamos extremamente claro que queremos manter as famílias unidas e que queremos proteger a fronteira e aplicar nossas leis – disse o presidente da Câmara, Paul Ryan, em uma coletiva de imprensa.

Ryan afirmou que o projeto de lei mais inclusivo resolveria a questão dos jovens adultos que foram levados aos EUA ainda crianças, focaria em um sistema imigratório baseado no mérito e salvaguardaria as fronteiras norte-americanas e o Estado de Direito.

Vários republicanos conservadores da Câmara deixaram uma reunião a portas fechadas na manhã desta terça-feira expressando insatisfação com o projeto de lei abrangente. Sem seu apoio, a proposta deve ser rejeitada.

Ryan disse que não descartará a possibilidade de levar a votação um projeto de lei mais restrito que só abordaria a detenção de famílias imigrantes se o projeto de lei mais inclusivo não for aprovado.

Embora o governo tenha dito que sua política de “tolerância zero” para a imigração ilegal continua em vigor, na segunda-feira autoridades disseram que os pais que atravessarem a divisa sem permissão com seus filhos não serão processados por ora porque o governo está ficando sem espaço para abrigá-los.

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