EUA recomendam suspender vacina da Johnson & Johnson

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Publicado terça-feira, 13 de abril de 2021 as 14:29, por: CdB

Após raros casos de coágulos, CDC e FDA pedem interrupção do uso da vacina contra a covid-19. Diante da recomendação nos Estados Unidos, farmacêutica decide adiar lançamento de seu imunizante na União Europeia.

Por Redação, com DW – de Washington

Agências reguladoras de saúde dos EUA recomendaram, nesta terça-feira, a suspensão temporária do uso da vacina de dose única contra a covid-19 da Johnson & Johnson, depois que seis pacientes desenvolveram um raro distúrbio envolvendo coágulos sanguíneos. A farmacêutica norte-americana decidiu esperar pelos resultados de análises e postergou o lançamento de sua vacina na União Europeia (UE).

Seis mulheres com idades entre 18 e 48 anos apresentaram casos raros de trombose do seio venoso cerebral após vacinação

Um comitê de assessoria ao Centro de Controle de Doenças dos EUA (CDC, na sigla em inglês) realizará uma reunião na quarta-feira para revisar os casos ligados ao imunizante da Johnson & Johnson, e a Administração de Alimentos e Remédios dos EUA (FDA, na sigla em inglês) revisará a análise, afirmaram ambas as agências em uma declaração conjunta.

“Até que o processo seja concluído, recomendamos uma pausa no uso desta vacina, num gesto de muita cautela”, diz parte do comunicado conjunto do CDC e da FDA.

Os seis pacientes afetados eram mulheres com idades entre 18 e 48 anos, e os sintomas surgiram de seis a 13 dias após a vacinação. Nos seis casos, um tipo de coágulo sanguíneo denominado trombose do seio venoso cerebral foi observado em combinação com níveis baixos de plaquetas no sangue (trombocitopenia).

O CDC e a FDA afirmaram que os incidentes aparentam ser extremamente raros. A Johnson & Johnson comunicou estar trabalhando em estreita colaboração com os órgãos reguladores e apontou que nenhuma relação causal foi estabelecida entre os incidentes e a vacina contra a covid-19 fabricada pelo seu braço farmacêutico, a empresa belga Janssen.

Segundo relatos do jornal The New York Times, uma mulher morreu e uma segunda foi hospitalizada em estado crítico no estado do Nebraska. Até o dia 12 de abril, mais de 6,8 milhões de doses do imunizante da Johnson & Johnson foram administradas nos Estados Unidos, uma pequena fração das estimadas 120 milhões de pessoas que já receberam ao menos uma dose de um imunizante contra a covid-19 no país.

Suspensão nos EUA atrasa lançamento na Europa

A suspensão em solo norte-americano ocorre uma semana após a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) ter comunicado que iniciou uma análise sobre a possível ligação entre a vacina da Johnson & Johnson e quatro casos graves de “coágulos sanguíneos incomuns”.

Na semana passada, a agência europeia também divulgou ter encontrado uma possível conexão entre a vacina contra a covid-19 da AstraZeneca e uma rara disfunção de coagulação do sangue, que resultou num pequeno número de mortes de pacientes inoculados com o imunizante.

A Johnson & Johnson anunciou que decidiu adiar o lançamento de sua vacina contra o coronavírus na Europa.  A farmacêutica disse que está revisando os dados em cooperação com as autoridades norte-americanas e europeias e que, como consequência, irá “atrasar proativamente o lançamento da vacina na Europa”.

A União Europeia recebeu as primeiras doses do imunizante da Johnson & Johnson na segunda-feira, um mês depois de ter autorizado seu uso nos 27 Estados-membros do bloco. A farmacêutica norte-americana se comprometeu a entregar 55 milhões de doses ao bloco europeu até o final de junho e outras 120 milhões de doses no terceiro trimestre.