EUA reduzem definitivamente presença diplomática em Cuba

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Publicado sábado, 3 de março de 2018 as 10:41, por: CdB

Depois de supostos “ataques cirúrgicos” contra diplomatas, Washington torna definitiva decisão de retirar mais da metade de funcionários de sua embaixada em Havana, que passa a ser considerada posto diplomático

Por Redação, com DW – de Washington:

Os Estados Unidos anunciaram na noite anterior a redução definitiva da sua presença diplomática em Cuba, confirmando uma decisão provisória tomada após uma série de misteriosos ataques supostamente com frequências acústicas contra diplomatas norte-americanos na ilha do Caribe.

Prédio da embaixada norte-americana em Havana

Paralelamente, o governo reiterou o seu apelo aos cidadãos norte-americanos para que evitem deslocar-se a Cuba, devido a esses “ataques cirúrgicos” que visaram a diplomatas norte-americanos na capital, causando-lhes perda de audição, vertigens, insônia ou ainda problemas de visão.

“Ainda não temos respostas definitivas quanto à origem ou causa dos ataques” e a investigação está ainda em curso; indicou o Departamento de Estado norte-norte-americano. No total, 22 diplomatas norte-americanos foram afetados pelos supostos ataques, entre o final de 2016 e meados de 2017.

Durante meses, Washington definiu esses ataques como “sônicos”; mas numa audiência no Senado, no dia 9 de janeiro, o Departamento de Estado admitiu pela primeira vez que não tinha certeza se o método usado foi acústico.

Redução diplomática

No fim de setembro do ano passado, Washington reduziu em quase dois terços o pessoal da sua embaixada em Havana; que funciona desde então com um número muito reduzido de funcionários; e mesmo as famílias dos diplomatas que ficaram tiveram de abandonar a ilha.

A decisão administrativa era apenas temporária e o seu prazo expiraria neste domingo; razão pela qual o Departamento de Estado em Washington indicou em comunicado que, a partir desta segunda-feira; um novo “estatuto permanente” entrará em vigor.

A embaixada de Havana passará a ser considerada um posto diplomático cujos funcionários não podem ser acompanhados pelas respectivas famílias e “continuará a operar apenas com o pessoal estritamente indispensável para realizar as tarefas diplomáticas e consulares prioritárias”, precisou o Departamento de Estado.

Após a redução, o Departamento de Estado repassou à sua embaixada em Bogotá as solicitações de vistos de cidadãos cubanos, que agora devem viajar à Colômbia para realizar os trâmites e a qualquer outro país no caso de vistos de turismo.

Havana desmente envolvimento

Havana desmente formalmente qualquer envolvimento no caso, e o diretor-geral encarregado dos Estados Unidos no Ministério do Exterior cubano, Carlos Fernández de Cossio, afirmou tratar-se de uma decisão de Washington “de carácter político e que nada tem que ver com a segurança do pessoal oficial norte-americano” em Cuba.

“O governo dos EUA tem provas suficientes de que Cuba é um país seguro para os diplomatas norte-americanos e de qualquer outro país, assim como para os cidadãos cubanos e os mais de quatro milhões de visitantes estrangeiros” que viajam para a ilha a cada ano, argumentou o diplomata cubano em rede social.

Além disso, ele criticou o Departamento de Estado por voltar a usar o termo “ataque”, quando “sabe perfeitamente que em Cuba não ocorreram nem ataques, nem qualquer outro tipo de atos deliberados” contra diplomatas norte-americanos.

Arrefecimento de relações

Sem saber quem são os autores, os Estados Unidos consideram as autoridades cubanas responsáveis; em última análise por não terem conseguido garantir a segurança dos diplomatas. Esta crise interrompeu o degelo diplomático iniciado sob a presidência de Barack Obama e travado pelo atual presidente, Donald Trump; desde a sua chegada ao poder, em janeiro de 2017.

A decisão arrefece as relações entre os dois países e limita a capacidade norte-americana de desempenhar um papel na sociedade civil da ilha comunista; que se prepara para seu primeiro presidente não-Castro em 60 anos.

– Perdemos a oportunidade estratégica de levar Cuba à nossa esfera de interesses – disse Vicki Huddleston, ex-chefe da missão de interesses norte-americanos; que funcionou até 2015  junto à embaixada suíça em Havana.

Raúl Castro deve renunciar à presidência em abril. Neste ano, esperam-se grandes mudanças na política econômica em Cuba; como a unificação das taxas de câmbio múltiplas e um possível ajuste de curso em reformas de mercado.

A medida também prejudicará as famílias cubano-americanas divididas pelo estreito da Flórida; que têm lutado para obter vistos de entrada nos EUA; desde que o país cortou a equipe de sua embaixada em setembro. A administração do presidente Donald Trump também expulsou 15 diplomatas cubanos estacionados nos Estados Unidos.

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