Europa contra-ataca após ameaça de guerra comercial de Trump

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Publicado quarta-feira, 7 de março de 2018 as 14:16, por: CdB

Políticos alemães e da UE querem responder olho por olho ao plano do presidente norte-americano de impor tarifa de 25% sobre aço do bloco. Lista de produtos atingidos pode incluir motos Harley Davidson e uísque

Por Redação, com DW – de Londres:

A liderança política da Alemanha reagiu irritada às declarações do presidente Donald Trump sobre a criação de uma nova “taxa” contra montadoras europeias que, segundo o americano, “despejam livremente” seus carros nos EUA.

Políticos alemães e da UE querem responder olho por olho ao plano do presidente norte-americano

Antes disso, Trump já havia anunciado para executivos que os EUA imporiam uma tarifa de 25%; sobre importações de aço e de 10% sobre alumínio.

Em reposta, a UE disse que está planejando formar uma coalizão de países; para reagir de maneira unificada aos movimentos de Trump.

De acordo com o portal de notícias europeu Euractiv; funcionários da Comissão Europeia estão em contato com outros países afetados; como Canadá, Brasil, Coreia do Sul, Japão, Austrália e Turquia.

A UE também se prepara para reagir isoladamente. Nesta quarta-feira era discutido um pacote de medidas; com o objetivo de resolver a disputa com os EUA e elencar  medidas de retaliação.

Uma parte deste pacote de retaliações foi divulgada pela rede Bloomberg na noite de segunda-feira. O documento mostra que a UE já preparou uma lista de produtos importados dos EUA; que podem vir a sofrer uma taxação extra de 25%. Entre eles estão jeans da Levi’s, motocicletas Harley Davidson; suco de laranja e uísque tipo bourbon; bem como outros produtos agrícolas e aço.

As tarifas, de acordo com a Bloomberg, devem arrecadar 2,8 bilhões de euros (R$ 11,2 bilhões); para compensar as medidas dos EUA.

O governo alemão

O governo alemão também elevou sua retórica contra Trump. “Se forem aplicados impostos gerais sobre o alumínio e o aço nos Estados Unidos; isso levará a rupturas no comércio mundial”; afirmou a ministra alemã da Economia, Brigitte Zypries; em um comunicado.

– Se Trump seguir suas palavras com ações, a Europa responderá proporcionalmente. Não é crível que importações de aço da Europa e da Alemanha ponham; em perigo a segurança nacional dos EUA – disse a ministra.

Zypries também questionou a lógica de Trump: “Alguém que fala tanto sobre o comércio justo; como o presidente Trump, não deve buscar métodos tão injustos”.

Paralelamente, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker; usou um tom ameaçador ainda mais ríspido. Ele descreveu o anúncio de Trump como “estúpido”. “Nós também podemos fazer coisas estúpidas”; disse ele na última sexta-feira.

Quem perde com protecionismo?

Os representantes da Alemanha na UE se juntaram ao coro que condenou a política de Trump. “Trump não está impondo penalidades, ele está se isolando”; disse Bernd Lange; porta-voz da política comercial dos social-democratas no Parlamento Europeu; e presidente do comitê de comércio da Casa. “Nós não fizemos nada de errado. Nós seguimos as regras da Organização Internacional do Comércio; e é por isso que temos que implementar contramedidas.”

– No fim das contas, é a indústria que vai sofrer – disse Godelieve Quisthoudt-Rowohl; porta-voz da política comercial da União Democrata-Cristã (CDU); no Parlamento Europeu. Ela apontou que o governo George W. Bush também anunciou aumentos de tarifas semelhantes e que; no final; a indústria dos EUA sofreu no médio prazo.

Inovador

– Isso se torna menos inovador, porque é limitado a um mercado; que acaba perdendo cada vez mais contato com o resto do mundo – disse ela à agência alemã de notícias DW. “O outro ponto é que não há necessariamente reservas de capacidade nos EUA. Não é de todo seguro que; mesmo que a indústria siderúrgica cresça; ela necessariamente encontrará trabalhadores para isso. Está sendo colocado algo em movimento sem saber como isso vai acabar.”

Em um comunicado à DW, o Ministério da Economia alemã disse; que os ministros do comércio da UE já se encontraram na semana passada em Sófia; na Bulgária, para discutir possíveis medidas contra os EUA e afinar a resposta da UE.

– Novas discussões estão em andamento – diz o comunicado. “A ministra Zypries advertiu contra rupturas no comércio mundial; por meio de ameaças de uma guerra comercial; que ninguém deseja, e espera que o presidente dos EUA reconsidere.”

– As medidas protecionistas unilaterais prejudicam a todos, incluindo os próprios EUA. É algo que a própria indústria dos EUA já advertiu publicamente – acrescentou o comunicado.

Crítica internas

Por outro lado, os oposicionistas do Partido Verde disseram que a UE precisa assumir uma certa parcela da culpa. Embora apontem que uma “guerra comercial” com Trump “só produziria perdedores”, os verdes também disseram que “abraçar o dogma do livre-comércio também não ajuda em nada”.

– Não é uma concorrência leal quando nem todas as empresas estão jogando com as mesmas regras – disseram em comunicado-conjunto Anton Hofreiter, líder parlamentar verde, e Katharina Dröge, porta-voz de política comercial do partido. “Queremos uma troca justa, e não a UE em primeiro lugar. Isso inclui, entre outras coisas, regras contra a concorrência fiscal injusta e regulamentos globais sobre concorrência leal. Isso é diferente do protecionismo de Trump.”

O neoliberal Partido Liberal-Democrático

O neoliberal Partido Liberal-Democrático (FDP) também criticou a reação do governo alemão; ao mesmo tempo em que condenou Trump; mas com um ponto de vista oposto ao dos verdes. Em artigo na revista Focus publicado na semana passada; o líder parlamentar do FDP, Alexander Graf Lambsdorff; disse que a disputa era uma oportunidade para o governo alemão finalmente abraçar um acordo de livre-comércio com o Canadá (conhecido como Ceta).

– Nos momentos em que o protecionismo, o populismo e o nacionalismo tornam-se aceitáveis de novo; precisamos desses acordos – escreveu ele. “Nenhum outro país é tão dependente de mercados abertos como a campeã mundial de exportações Alemanha