Europa enfrenta aumento de moradores de rua

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Publicado quarta-feira, 21 de março de 2018 as 14:48, por: CdB

Estudo aponta que, nos últimos anos, todos os países europeus, com exceção da Finlândia, vivenciaram um crescimento drástico no número de sem-teto e no custo da moradia

Por Redação, com DW – de Londres:

Eles podem ser vistos em quase toda parte em cidades da Europa: pessoas sem-teto obrigadas a viver nas esquinas, invariavelmente cobertos por sacos de dormir. Em alguns casos, a única proteção que eles têm contra o concreto frio das calçadas urbanas é um tapete térmico – mas há muitos que precisam recorrer a jornais ou papelão.

A Inglaterra registrou o maior crescimento no número de pessoas sem moradia: 169% entre os anos de 2010 e 2016

Para eles, chuva, neve e temperaturas contínuas abaixo de zero em toda a Europa são aspectos que trazem riscos de morte. E o problema está piorando; o número de pessoas deslocadas ou sem-teto na Europa cresceu nos últimos anos.

A Federação Europeia das Associações Nacionais que Trabalham com os Sem-Teto (Feantsa, na sigla em francês); confirmou a tendência crescente com um estudo recente; que aponta uma piora da crise social e um crescimento cada vez maior da desigualdade entre ricos e pobres.

Nos últimos anos, todos os países europeus, com exceção da Finlândia;  vivenciaram um aumento drástico no número de sem-teto e no custo da moradia. Os dados de cada país são calculados de acordo com padrões diferentes e; portanto, são difíceis de serem comparados. No entanto, invariavelmente tudo aponta para uma tendência geral bastante inquietante.

Entre os países com o maior aumento de habitantes sem abrigo estão a Inglaterra (169% entre 2010 e 2016), a Irlanda (145% entre 2014 e 2017); e a Bélgica (96% entre 2008 e 2016). Os países que sofreram os aumentos mais extremos nos custos de habitação são Bulgária, Inglaterra; Portugal, República Tcheca e Polônia. Em toda a Europa; sem-teto vivem cerca de 30 anos menos do que o resto da população. Em média, eles moram nas ruas por 10,3 anos.

Índices preocupantes na Alemanha

A situação se deteriorou em um país particularmente conhecido por possuir um sistema de rede de segurança social que funcione bem: a Alemanha. De acordo com o estudo da Feantsa, aproximadamente 860 mil pessoas estavam desabrigadas ou não tinha uma residência fixa na Alemanha em 2016. Isso reflete um aumento de 150% entre 2014 e 2016.

Cerca de metade das famílias de baixa renda na Alemanha gastam mais de 40% de suas receitas em habitação. Apenas dois outros países – Bulgária e Grécia – exigem que os cidadãos gastem mais para ter um teto. A média europeia é de 42,1%. O estudo define como “pobre” aquelas pessoas que ganham menos de 60% da renda média nacional.

A Alemanha é um dos países em que existe a maior desigualdade quando se trata do acesso à habitação. “É particularmente chocante que um país tão rico como a Alemanha está entre aqueles com as taxas mais altas de exclusão de moradia”, disse o diretor da Feantsa, Freek Spinnewijn, em comunicado.

Finlândia, um exemplo

– Durante anos, observamos uma diminuição da habitação social na Alemanha e isso levou ao desaparecimento de opções de habitação a preços acessíveis – explica Thomas Specht, presiente do Grupo Federal de Trabalho para Assistência de Sem-Teto (BAG, na sigla em alemão).

Seu instituto forneceu os dados da Alemanha para o relatório da Feantsa; sobre a exclusão de habitação na Europa. Sprecht afirma que a demanda por moradia tem sido muito exacerbada; nas áreas metropolitanas devido a um afluxo de residentes e também à reestruturação. Ambos os fatores levaram a uma explosão dos preços de moradias.

– E pouco foi feito para abordar as condições estruturais para a construção de moradias nos últimos anos – afirma. Acima de tudo, os jovens com pouca renda foram os mais afetados. Sprecht pede mais programas de habitação social; e aponta para a Finlândia como um exemplo positivo a ser seguido. Segundo ele, o país iniciou um programa especial financiado por várias fontes diferentes – doações e subsídios derivados das indústrias de jogos de azar e de loterias estavam entre elas.

Sprecht

Por outro lado, Sprecht aponta que o pequeno país construiu somente entre “oito e dez mil apartamentos”. O modelo é difícil de ser elevado a uma escala do tamanho necessário em países maiores como a Alemanha; onde a demanda não pode ser atendida com programas especiais; mas onde são necessárias medidas verdadeiramente abrangentes de regulação de mercado. No entanto, segundo Sprecht, a Finlândia avançou com a abordagem básica: todas as pessoas precisam ter um lugar para morar.

Pesquisadores alegam que uma razão pela qual o número de sem-teto disparou tão rapidamente na Alemanha é; que os refugiados foram contabilizados nas estatísticas pela primeira vez. Sprecht estima que foram incluídos aproximadamente 440 mil refugiados. A maioria deles, segundo o especialista; não possui contrato de aluguel e vive em habitações de refugiados ou acomodações coletivas.

Refugiados

– Era evidente que a questão dos refugiados também criaria problemas no mercado imobiliário – afirma Sprecht. Sem os refugiados, o aumento do número de desabrigados na Alemanha entre 2014 e 2016 cresceriam apenas 25%, de 335 mil para 420 mi”; e não para 860 mil pessoas, como apontou o relatório.

Segundo o diretor da Feantsa Spinnewijn, a questão imobiliária resultante do afluxo migratório é mais uma que a chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel; e sua nova coalizão de governo terão de enfrentar. Para Spinnewijn, Merkel “precisa tornar a falta de moradia e sem-teto uma prioridade a fim de neutralizar essa bomba-relógio“.

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