Europa precisa combater forças iliberais, afirma presidente do BCE

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Publicado sábado, 15 de dezembro de 2018 as 18:25, por: CdB

Partidos anti-establishment e muitas vezes populistas fizeram progressos políticos em todo o mundo nos últimos anos, desafiando os princípios do comércio aberto, cooperação multilateral e até mesmo a democracia.

 

Por Redação, com agências internacionais – de Pisa, Itália

 

A disseminação da ideologia iliberal — ou oposta à liberdade, despótica, segundo o Dicionário Aurélio — está ameaçando o euro. Mas é uma ilusão achar que isso oferece um caminho mais fácil, disse o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, neste sábado.

Presidente do BCE, Draghi critica o avanço do neofascismo na Europa e no mundo
Presidente do BCE, Draghi critica o avanço do neofascismo na Europa e no mundo

Advertindo que uma união monetária inacabada pode estar em risco na próxima crise, Draghi defendeu mudanças radicais na forma como o bloco opera diante de riscos financeiros.

— O fascínio pelas prescrições e regimes iliberais está se espalhando; estamos vendo pequenos passos para trás na história — disse Draghi.

Energias individuais

Ainda segundo o executivo do BCE, o progresso é o único caminho.

— Somente continuando a progredir, liberando as energias individuais, mas também estimulando a eqüidade social, vamos salvar (o projeto europeu) através de nossas democracias, com uma unidade de propósito — acrescentou.

Partidos anti-establishment e muitas vezes populistas fizeram progressos políticos em todo o mundo nos últimos anos, desafiando os princípios do comércio aberto, cooperação multilateral e até mesmo a democracia.

Draghi, responsável por salvar o euro na pior crise da Europa, pediu maior compartilhamento de risco privado, a conclusão dos sindicatos bancários e de mercado de capitais e defendeu a adoção de mecanismos de apoio que ajudem os membros mais fracos do bloco em caso de estresse no mercado.

Zona do euro

Grandes reformas praticamente pararam nos últimos anos no bloco, principalmente devido à resistência da Alemanha, que teme que seus contribuintes paguem a conta da irresponsabilidade fiscal e dos excessos dos membros mais fracos do euro.

— Sem os controles apropriados no nível da zona do euro, os países individuais em uma união monetária podem ser expostos à dinâmica de profecia autorrealizável nos mercados de dívida soberana — disse Draghi, num provável alerta à Itália, que viu custos de empréstimos nitidamente mais altos recentemente.

Mas Draghi também disse que o euro hoje não é tão rígido quanto alguns argumentam. Mesmo que seja forte demais para alguns membros e fraco demais para os outros, esse desalinhamento decaiu nos últimos anos, argumentou ele.

A depreciação cambial também traria poucos benefícios, porque seria necessária uma grande desvalorização para obter uma vantagem real, que ameaçaria a existência do mercado único e o bem-estar dos membros mais pobres da sociedade, disse.

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