Europa acelerará testes de vacinas geneticamente modificadas para covid-19

Arquivado em: Destaque do Dia, Saúde, Últimas Notícias, Vida & Estilo
Publicado quarta-feira, 10 de junho de 2020 as 11:09, por: CdB

Espera-se que a Comissão Europeia apresente os planos já na próxima semana. Eles são parte de uma estratégia mais abrangente da UE que visa obter doses suficientes de uma possível vacina para o bloco, que teme ficar atrás dos Estados Unidos e da China.

Por Redação, com Reuters – de Bruxelas/Londres

Autoridades europeias pretendem acelerar os testes de vacinas para covid-19 contendo organismos modificados geneticamente, disseram duas fontes da União Europeia à agência inglesa de notícias Reuters, uma medida que pode ajudar vacinas desenvolvidas por empresas farmacêuticas como AstraZeneca e Johnson & Johnson.

Cientistas do Reino Unido trabalham em potencial vacina para covid-19
Cientistas do Reino Unido trabalham em potencial vacina para covid-19

Espera-se que a Comissão Europeia apresente os planos já na próxima semana. Eles são parte de uma estratégia mais abrangente da UE que visa obter doses suficientes de uma possível vacina para o bloco, que teme ficar atrás dos Estados Unidos e da China.

A reforma deve diminuir o poder dos países-membros de impor exigências adicionais às farmacêuticas quando estas realizam testes clínicos de remédios e vacinas que contêm organismos modificados geneticamente (GMOs), de acordo com as fontes.

Em alguns países, como Itália e França, por exemplo, os tratamentos precisam receber autorização dos departamentos de meio ambiente ou pesquisa do governo, e também das autoridades de saúde, segundo regras que têm mais de 20 anos e também cobrem a área mais publicamente delicada de criação de GMOs.

Indústria farmacêutica

Há tempos isto vem causando gargalos na indústria farmacêutica, que depende cada vez mais da engenharia genética.

Tais atrasos poderiam ser particularmente problemáticos agora que a Europa pode ter que acelerar os testes rapidamente, disse uma autoridade da Comissão Europeia, alertando que algumas das vacinas contra covid-19 mais promissoras em desenvolvimento contêm GMOs.

O porta-voz da Comissão Europeia, o Executivo da UE, não quis comentar.

A Vaccines Europe, que representa muitas grandes farmacêuticas, como AstraZeneca, Sanofi, Pfizer, GSK e Novavax, afirmou que as mudanças planejadas criariam uma competição equilibrada entre vacinas que contêm GMOs e as que não contêm.

Os adenovírus

– Os GMOs são muito específicos das poucas vacinas baseadas em vetores do adenovírus – disse Michel Stoffel, da Vaccines Europe, à Reuters, citando aquelas desenvolvidas por AstraZeneca e Johnson & Johnson JNJ.N entre as que contêm GMOs e que se beneficiariam das mudanças.

Os adenovírus causam a gripe comum e outros vírus replicantes. Eles almejam introduzir um gene do novo coronavírus no corpo para provocar uma reação imunológica e protegê-lo de uma exposição subsequente.

Na semana passada, os EUA identificaram cinco empresas como as candidatas mais prováveis para produzir uma vacina contra o coronavírus: as norte-americanas Johnson & Johnson, Moderna, Merck, Pfizer e a britânica AstraZeneca, que está trabalhando com a Universidade de Oxford.

Anti-inflamatórios e remédios de câncer

Dois remédios anti-inflamatórios e contra o câncer estão sendo testados como possíveis terapias para pacientes de covid-19, anunciaram as universidades britânicas de Birmingham e Oxford nesta quarta-feira.

Acredita-se que casos graves de covid-19 são desencadeados por uma hiper reação do sistema imunológico, conhecida como tempestade de citocina, e pesquisadores estão investigando se remédios que suprimem certos elementos do sistema imunológico podem desempenhar um papel na contenção de uma escalada rápida dos sintomas.

O Namilumab, um anticorpo monoclonal da Izana Bioscience já nas fases finais de testes para tratamento de artrite reumatoide e uma doença inflamatórias conhecida como espondilite anquilosante, é o primeiro de quatro candidato do teste Catalyst.

Ele visa a uma citocina chamada GM-CSF, que se acredita que, em níveis descontrolados, é um catalisador essencial da inflamação pulmonar excessiva e perigosa vista em pacientes com covid-19.

O remédio

O remédio já está sendo testado como terapia para covid-19 na Itália.

O segundo medicamento, Infliximab (CT-P13), desenvolvido pela Celltrion Healthcare UK, sediada na cidade inglesa de Slough, é uma terapia de fator de necrose tumoral alfa (TNF) usada para tratar oito doenças autoimunes, como a artrite reumatoide e a síndrome do intestino irritável.

Ben Fisher, investigador de testes coclínicos da Universidade de Birmingham, disse: “Indícios emergentes estão demonstrando um papel crítico de anti-inflamatórios na tempestade de citocina associada à infecção grave de covid-19”.

“No estudo Catalyst, esperamos mostrar, com uma única dose destes tipos de remédios em pacientes hospitalizados, que conseguimos adiar ou evitar a deterioração rápida para o tratamento intensivo e a exigência de ventilação invasiva neste grupo crítico de pacientes.”

Entre os outros remédios para doenças autoimunes que estão sendo estudados devido à sua capacidade de conter a tempestade de citocina em testes estão o Regeneron, o Kevzara da Sanofi, o Actemra da Roche e o otilimab da Morphosys e da GlaxoSmithKline.

A japonesa Takeda tem uma participação acionária estratégica na Izana.