Ex-cardeal é absolvido de abusos sexuais na Austrália

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Publicado terça-feira, 7 de abril de 2020 as 13:30, por: CdB

O principal tribunal da Austrália absolveu nesta terça-feira o ex-tesoureiro do Vaticano George Pell de ter abusado sexualmente dois meninos de um coro nos anos 1990, libertando o cardeal de 78 anos após 404 dias na prisão.

Por Redação, com Reuters – de Melbourne

O principal tribunal da Austrália absolveu nesta terça-feira o ex-tesoureiro do Vaticano George Pell de ter abusado sexualmente dois meninos de um coro nos anos 1990, libertando o cardeal de 78 anos após 404 dias na prisão.

Cardeal George Pell em entrevista coletiva no Vaticano
Cardeal George Pell em entrevista coletiva no Vaticano

O Vaticano saudou a decisão e elogiou Pell por ter “esperado que a verdade fosse determinada”.

Em um comunicado, o Vaticano disse que sempre teve confiança na justiça australiana, que Pell sempre manteve sua inocência e que a Santa Sé reafirma seu “compromisso de evitar e levar adiante todos os casos de abuso de menores de idade”.

A Alta Corte, sediada em Brisbane, ordenou que as condenações de Pell sejam anuladas e que veredictos de absolvição sejam registrados em seu lugar, encerrando o caso mais notório de suposto abuso sexual de longa data a abalar a Igreja Católica.

Os sete juízes da Alta Corte concordaram de forma unânime que o júri do julgamento do cardeal “deveria ter ponderado uma dúvida” sobre sua culpa. Pell, que alegou inocência durante todo o longo processo legal, não pode ser julgado novamente com as mesmas acusações.

Acusado

– Não quero mal ao meu acusador, não quero que minha absolvição aumente o sofrimento e a amargura que tantos sentem; certamente já existe sofrimento e amargura suficiente – disse Pell em um comunicado pouco depois de ser retirado da prisão de segurança máxima de Barwon, próxima de Melbourne.

O veredicto chega no meio da Semana Santa, o período que antecede a Páscoa, o dia mais importante do calendário cristão.

Poucas horas após a absolvição, o papa Francisco dedicou sua missa matutina àqueles que sofrem com penas injustas, mas não citou Pell nominalmente.

– Hoje gostaria de orar por todas aquelas pessoas que sofrem com penas injustas resultantes da intransigência (contra elas) – disse o papa, falando de improviso no início da missa.

Uma investigação do Vaticano sobre Pell foi debatida, mas nunca iniciada formalmente.

As apelações

O papa indicou Pell para reformar as vastas finanças do Vaticano em 2014 e se absteve de comentar o caso durante o julgamento e as apelações.

A Rede de Sobreviventes dos Abusados por Padres (Snap) disse ter ficado “desconsolada e arrasada” com o veredicto.

– Este é um parecer decepcionante que só exacerba a desconfiança que os sobreviventes sentem – disse a Snap Austrália em um comunicado.

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