Ex-secretário de Bolsonaro chamado a depor na CPI da Covid, após entrevista polêmica

Arquivado em: Política, Últimas Notícias
Publicado sexta-feira, 23 de abril de 2021 as 16:25, por: CdB

O ex-secretário Fabio Wajngarten falou aos jornalistas às vésperas do início dos trabalhos na CPI da Covid, instalada para avaliar a responsabilidade do governo Bolsonaro, por ação ou por omissão, na crise sanitária vivida pelo Brasil em razão do novo coronavírus.

Por Redação – de São Paulo

Ex-secretário de Comunicação da Presidência da República, o publicitário Fabio Wajngarten atribui ao Ministério da Saúde, então sob comando do general Eduardo Pazuello, a atual baixa oferta de vacinas contra a covid-19 no Brasil. Embora tente eximir o presidente Jair Bolsonaro de responsabilidade, parlamentares acreditam que o mandatário estaria por trás das decisões. Ele será chamado a depor na CPI da Covid, segundo apurou a reportagem do Correio do Brasil, junto a senadores que integram a Comissão.

Wajngarten foi citado na CPMI das Fake News, como suspeito de contribuir para a divulgação de notícias falsas na campanha eleitoral
Wajngarten foi citado na CPMI das Fake News, como suspeito de contribuir para a divulgação de notícias falsas na campanha eleitoral

O dono de uma agência de publicidade, investigada pela Polícia Federal por suspeita de privilegiar aliados do governo com verbas públicas, disse à revista semanal de ultradireita Veja que a compra de vacinas oferecidas pela Pfizer, ainda no ano passado, não ocorreu por “incompetência e ineficiência” por parte da pasta comandada pelo militar.

— Quando você tem um laboratório americano com cinco escritórios de advocacia apoiando uma negociação que envolve cifras milionárias e do outro lado um time pequeno, tímido sem experiência, é isso que acontece. O presidente Bolsonaro está totalmente eximido de qualquer responsabilidade nesse sentido. Se as coisas não aconteceram, não foi por culpa do Planalto. Ele era abastecido com informações erradas, não sei se por dolo, incompetência ou as duas coisas — disse Wajngarten.

Coronavírus

Ao ser perguntado se a crítica se dirigia especificamente a Pazuello, o ex-secretário preferiu deixar no ar a resposta.

— Estou me referindo à equipe que gerenciava o Ministério da Saúde nesse período — afirmou.

Wajngarten falou aos jornalistas às vésperas do início dos trabalhos na CPI da Covid, instalada para avaliar a responsabilidade do governo Bolsonaro, por ação ou por omissão, na crise sanitária vivida pelo Brasil em razão do novo coronavírus. A primeira reunião da CPI será realizada na próxima terça-feira para a sua instalação, com a eleição do presidente e vice-presidente da comissão.

Cloroquina

Os quatros ministros da Saúde do governo Bolsonaro —Luiz Henrique Mandetta (DEM), Nelson Teich, Eduardo Pazuello e o atual ministro Marcelo Queiroga— também deverão ser convocados para esclarecimentos. Pazuello, que ficou por mais tempo no cargo durante a pandemia, deve ser questionado sobre a compra de remédios para tratamento precoce (sem comprovação científica) e sobre os indícios de que soube antecipadamente e não atuou diante da iminência do colapso do sistema de saúde de Manaus no início do ano.

 

Segundo Wajngarten, na CPI da Covid o governo “não pode ser acusado de inoperância”.

— Eu era o secretário de Comunicação do governo. É minha obrigação reportar o que o Planalto fez através da minha pessoa. Antevi os riscos da falta de vacina e mobilizei com o aval do presidente vários setores da sociedade. Já me acusaram até de não ter feito campanha publicitária para divulgar a importância da vacina. Como eu ia fazer campanha de vacinação se não tinha vacina. Se fizesse, seria propaganda enganosa — afirmou à revista.

Farmacêutica

O ex-secretário afirmou, ainda, ter sido procurado por um dono de veículo de comunicação, sem especificar a que empresa estava se referindo, para falar sobre as vacinas da Pfizer. Depois disso, ele teria entrado em contato com a farmacêutica.

— Liguei para a sede e me apresentei. No mesmo dia, o CEO da empresa me retornou. Foi uma conversa surpreendente. Ele relatou o que havia acontecido —ou melhor o que não havia acontecido. O Ministério da Saúde nem sequer havia respondido à carta. Sou filho de médico e sei o que representa a tradição da Pfizer, sei quanto a vacinação é importante e também como isso poderia implodir ou incensar a imagem do presidente da República — acrescentou.

Caso houvesse ocorrido a compra dos imunizantes, a vacinação no país poderia ter começado mais cedo e mais pessoas já poderiam ter sido vacinadas.

— Me coloquei à disposição para negociar com a empresa. A vacina da Pfizer era a mais promissora, com altos índices de eficácia, segundo os estudos. Precisávamos da maior quantidade de vacinas no menor tempo possível. E dinheiro nunca faltou. Então, eu abri as portas do Palácio do Planalto. Mas, infelizmente, as coisas travavam no Ministério da Saúde — revelou.

Novo cargo

Após deixar o governo, o general Eduardo Pazuello ganhou um novo cargo, na Secretaria-Geral do Exército, para o qual foi nomeado nesta sexta-feira, em ofício publicado no Diário Oficial da União. Entre as funções desta secretaria estão preparar reuniões do Alto Comando do Exército, assessorar o comandante do Exército e conduzir as cerimônias de entregas de condecorações e medalhas.

Pazuello ficou dez meses à frente do Ministério da Saúde, entre maio de 2020 e março de 2021. O general deixou a pasta no que era, até então, o pior momento da pandemia no Brasil. Marcelo Queiroga assumiu a pasta após a saída de Pazuello.

A gestão de Pazuello foi marcada pelo colapso do sistema de saúde no Amazonas, quando hospitais sofreram com a falta de oxigênio. O atraso na aquisição de vacinas contra a covid-19 é outra falha atribuída a Pazuello.