Facebook bane extremistas de suas redes sociais

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Publicado sexta-feira, 3 de maio de 2019 as 10:55, por: CdB

Gigante das redes sociais fecha contas de conhecidos extremistas em suas plataformas por disseminação de ódio e violência. Entre os banidos estão Alex Jones, Louis Farrakhan e Milo Yiannopoulos.

Por Redação, com DW  e Reuters – de Nova York

Numa tentativa de reduzir o conteúdo extremista em suas plataformas, o Facebook baniu na quinta-feira vários conhecidos extremistas norte-americanos, conhecidos por seus discursos de ódio, e alegou que eles violaram sua proibição de “indivíduos perigosos”.

Facebook tenta reduzir o conteúdo extremista em seus serviços, mas críticos falam em “censura” e “autoritarismo”

Entre os banidos estão Alex Jones, radialista americano de extrema direita e teórico da conspiração, Louis Farrakhan, líder do grupo Nação do Islã, que é acusado de antissemitismo, e Milo Yiannopoulos, comentarista político britânico e ex-editor do site de extrema direita americano Breitbart News.

Também foram banidos Paul Nehlen, que concorreu como “candidato cristão branco” na eleição de 2018 para o Congresso dos EUA, Paul Joseph Watson, também radialista britânico e teórico da conspiração, e Laura Loomer, ativista política que trabalhou como repórter da página canadense de extrema direita Rebel Media.

O banimento se aplica tanto à rede social Facebook quanto ao Instagram. As páginas de fãs (fanpages) e outras contas relacionadas também foram enquadradas na proibição, afirmou o Facebook.

A medida faz parte de um esforço conjunto do gigante das redes sociais para remover indivíduos, grupos e conteúdos extremistas de sua plataforma. No mês passado, o Facebook baniu vários grupos britânicos de extrema direita, incluindo a Liga de Defesa Inglesa e o Partido Nacional Britânico, e instituiu uma proibição ao conteúdo nacionalista branco.

– Indivíduos e organizações que disseminam ódio, ou atacam ou pedem a exclusão de outro com base no que eles são não têm lugar no Facebook – afirmou a empresa.

Críticos elogiaram a decisão, mas disseram que mais precisa ser feito. “Sabemos que continuam existindo supremacistas brancos e outras figuras extremistas que ativamente usam ambas as plataformas para disseminar seu ódio e preconceito”, disse Keegan Hankes, analista da Southern Poverty Law Center, uma organização que monitora grupos de ódio nos Estados Unidos.

O Facebook insistiu que sempre baniu contas e páginas que proclamam uma missão violenta ou odiosa ou estão envolvidas em atos de ódio ou violência, independentemente da ideologia política.

A proibição não vale, porém, para conteúdo postado por outros usuários. Vídeos de Farrakhan continuavam disponíveis no Instagram, em contas de outros usuários, após o fechamento das páginas dele.

Jones, que foi banido permanentemente do Twitter no ano passado, reagiu com raiva à proibição durante uma transmissão ao vivo de seu programa radiofônico no site Infowars, que ele administra e que também foi banido. “Eles não apenas me baniram. Eles nos difamaram. Por que (o presidente-executivo do Facebook) Mark Zuckerberg fez isso?”, indagou Jones, que se disse vítima de “extorsão” e de “cartéis”.

– Há um novo mundo agora, cara, onde eles estão proibindo todo mundo e depois eles dizem ao Congresso que ninguém está sendo banido.

A Infowars respondeu à proibição com o comunicado que o banimento “equivale a controle editorial sobre o conteúdo do usuário, e uma doação em espécie para o candidato presidencial democrata de 2020”.

Watson escreveu em sua conta no Twitter que não recebeu um motivo pelo banimento e insistiu que “não quebrou nenhuma das regras” da Facebook. “Os relatos são verdadeiros. Fui banido pelo Facebook. Não foi dado nenhum motivo. Eu não quebrei nenhuma das regras deles”, afirmou Watson.

Google

O Google, maior plataforma de publicidade digital dos Estados Unidos, está enfrentando o aumento da concorrência de sites onde as pessoas compram produtos e lugares que são pensados para serem livres de conteúdo potencialmente ofensivo, disseram anunciantes.

As ações da Alphabet caíram 7,5 %  na terça-feira, um dia depois que a empresa registrou o menor crescimento de receita trimestral em três anos. Cerca de 85 % da receita da empresa vem do negócio de anúncios do Google.

– Uma palavra: Amazon – disse Mat Baxter, presidente-executivo global da Initiative, uma agência de compra de anúncios de propriedade da IPG Mediabrands cujos clientes incluem a Amazon.

Baxter disse em uma entrevista que os clientes estão começando a movimentar o dinheiro investido em anúncios de plataformas onde as pessoas pesquisam produtos para lugares como a Amazon, onde já estão realizando a compra, para estarem mais próximos do momento da transação.

Monica Peart, diretora de previsões da empresa de pesquisa eMarketer, ofereceu uma visão diferente. “A Amazon é, naturalmente, uma parte crescente dos orçamentos de publicidade dos anunciantes e parte do seu crescimento está chegando às custas do que teria ido para o Google. Mas esse não é um grande impacto no crescimento da receita publicitária do Google no momento”, ela disse.

O enorme tamanho do Google, que ainda teve receita de US$ 36,3 bilhões no primeiro trimestre, significa que o crescimento deve desacelerar à medida que os orçamentos globais de anúncios digitais e as economias internacionais também diminuem, disse Peart.

O negócio de anúncios da Amazon, que é combinado em um segmento de “publicidade e outras vendas”, trouxe US$ 2,7 bilhões no primeiro trimestre, menos de um décimo das vendas de anúncios do Google.

A plataforma de vídeos do Google, YouTube, também tem lutado para impedir a propagação de conteúdo adulto ou perturbador no site, levando alguns anunciantes importantes, incluindo a AT&T a remover seus anúncios por medo de aparecerem ao lado de conteúdo ofensivo.

– Alguns clientes tomaram a decisão de recuar um pouco – disse Jon Stimmel, diretor de investimentos da Universal McCann, uma agência de compra de anúncios e uma unidade da IPG Mediabrands, referindo-se ao YouTube. Esses clientes se reposicionaram em plataformas de streaming consideradas mais seguras, como Hulu e Roku, disse.

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