Falta de medicamentos a transplantados pode causar perda do órgão

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Publicado terça-feira, 23 de julho de 2019 as 13:47, por: CdB

Medicamentos imunossupressores, que impedem a rejeição de órgãos, não estão sendo entregues no SUS, o que pode trazer riscos graves.

Por Redação, com RBA – de São Paulo

Associações de pacientes transplantados denunciam a falta de remédios conhecidos como imunossupressores, fundamentais para que os órgãos transplantados não sejam rejeitados.

Associação Brasileira de Transplantados diz ainda que, quando medicamentos são entregues, fornecimento é parcial e não dá conta da totalidade de pacientes

Com custo elevado, esses medicamentos são distribuídos pelas farmácias do Sistema Único de Saúde (SUS), mas desde o começo do ano a entrega é insuficiente.

Ao repórter Jô Miyagui, do Seu Jornal, da TVT, o comerciante Michel Faustino relata que há três anos fez transplante de rins e, para evitar rejeição dos órgãos, diariamente ele precisa tomar os medicamentos, mas desde 2017 a entrega pelo governo federal tem sido parcial.

Com a falta de remédios, Faustino passou a ter dores de cabeça e alergia entre o pescoço e o peito. Para não piorar sua condição, neste mês ele precisou desembolsar R$ 600 para obter um dos remédios, mas teme que em agosto não tenha dinheiro para realizar a compra novamente. “Você fica com medo porque não quer voltar para aquela máquina, ficar fazendo hemodiálise”, lamenta.

Presidente da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), o nefrologista José Osmar Medina Pestana explica que a falta de medicamentos pode trazer graves problemas à saúde, causando até mesmo a morte. “Se a pessoa parar de tomar (o remédio), qualquer época da vida, ela perde o órgão transplantado”, alerta.

Justiça

A Associação Brasileira de Transplantados (ABTX) confirma que os problemas com o fornecimento começaram em 2017 e pioraram neste ano. A associação havia conseguido na Justiça garantir o abastecimento dos medicamentos, mas, a entrega tem sido muitas vezes fracionada.

Para o presidente da ABTX, Edson Arakaki, há um descaso tanto por parte do governo de Jair Bolsonaro como pela gestão em São Paulo do governador João Doria. “O que a gente tem notado é que se fornece sempre uma quantidade menor do que a necessária e, por outro lado, a gente vê também problemas na distribuição”, destaca.

Políticas sobre Drogas

Representações da sociedade civil e especialistas estão fora do Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas (Conad). Decreto de Jair Bolsonaro publicado na segunda-feira, no Diário Oficial da União reduziu de 31 para 14 o número de integrantes do órgão, que passa a ser composto apenas por representantes do governo e dos conselhos estaduais antidrogas.

O Conad contava com participação de um jurista indicado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), um médico pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), um psicólogo pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP), um assistente social pelo Conselho Federal de Serviço Social (CFESS), um enfermeiro pelo Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) e um educador indicado pela União Nacional dos Estudantes (UNE). Todos essas vagas foram cortadas.

Com a mudança, dos 14 integrantes do Conselho, 12 são membros com cargo de ministro ou indicados por ministério ou órgão federal, e dois integrantes de conselho estadual e órgão estadual sobre drogas.

O Conad continuará sendo presidido pelo ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sergio Moro, e o ministro da Cidadania, Osmar Terra, passa a integrá-lo.

O ministro Terra já foi criticado por especialistas após querer ampliar o papel das comunidades terapêuticase a internação compulsória de dependentes químicos, neste ano, por meio de um projeto de lei sancionado pelo presidente.

O decreto de Bolsonaro ainda proíbe a divulgação de discussões em curso sem a prévia anuência dos ministros da Justiça e da Cidadania. O deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG) criticou a medida presidencial. “É um absurdo que especialistas e representantes da sociedade civil não possam mais compor um conselho como o que promove política sobre drogas. Ver a questão como se fosse apenas de polícia e não de saúde pública é um grande retrocesso”, disse em redes sociais.

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