Farc denuncia assassinato de militantes na Colômbia

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Publicado quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018 as 14:22, por: CdB

No dia 23 de janeiro, o Farc denunciou 49 ataques contra ex-combatentes e militantes seus, dos quais 36 foram assassinados depois da assinatura do acordo de paz

Por Redação, com EFE – de Bogotá:

O partido político Força Alternativa Revolucionária do Comum (Farc), surgido após o desmonte da antiga guerrilha de mesma sigla, denunciou nesta quinta-feira o assassinato de três de seus militantes, bem como de um menor de idade no departamento de Nariño. A informação é da EFE.

Farc denuncia assassinato de três de seus militantes no sudoeste da Colômbia

– Com profunda dor recebemos ontem a notícia que confirmou o desaparecimento; tortura e posterior assassinato de nossos camaradas William Rivera, Jhojan Silva e Luis Cortés Cabezas e o jovem menor de idade David Rivera – afirmou o partido em um comunicado assinado por seu Conselho Político Nacional.

Segundo o Farc, “tudo indica que os responsáveis pelo crime são integrantes ativos” do Exército de Libertação Nacional (ELN); que opera nesse departamento colombiano fronteiriço com o Equador.

– Resistimos a pensar que membros de uma organização baseada nos princípios do humanismo estejam comprometidas com este ato reprovável; razão pela qual solicitamos de maneira urgente que o ELN esclareça publicamente tal informação – acrescentou o comunicado.

Mesmo diante desta situação, o partido pediu ao governo e ao ELN que continuem com as negociações de paz; suspensas desde segunda-feira pelo presidente Juan Manuel Santos por causa de três atentados do ELN; cometidos contra a polícia no último fim de semana; que deixaram sete mortos e 47 feridos.

– Os esforços para completar a solução política e negociada para o conflito devem continuar; e um novo cessar-fogo bilateral deve ser pactuado entre o Estado colombiano e o ELN – detalhou a legenda Força Alternativa Revolucionária do Comum.

Farc

No dia 23 de janeiro, o Farc denunciou 49 ataques contra ex-combatentes e militantes seus, dos quais 36 foram assassinados depois da assinatura do acordo de paz em novembro de 2016 com o governo colombiano.

Em 17 de janeiro, o partido disse que dois ex-guerrilheiros foram assassinados no departamento de Antioquia (noroeste). Quatro dias depois, vários militantes do Farc foram atacados no departamento de Arauca, na fronteira com a Venezuela, por suposta dissidências da ex-guerrilha que não aceitam o acordo de paz.

Governo

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, anunciou na segunda-feira a suspensão do diálogo de paz com o grupo guerrilheiro Exército de Libertação Nacional (ELN); devido aos atentados realizados pelo mesmo contra instalações da polícia no norte do país, deixando sete agentes mortos e 51 feridos. A informação é da EFE.

– Tomei a decisão de suspender o início do quinto ciclo de negociações que estava previsto para os próximos dias até que haja coerência entre as palavras do ELN; e suas ações – disse Santos em um evento na cidade de Palma, no departamento de Cundinamarca.

Santos citava os três atentados com bomba registrados no último fim de semana em Barranquilla; com cinco agentes mortos e 41 feridos e na vizinha Soledad, onde cinco policiais ficaram feridos. Já em Santa Rosa, no departamento de Bolívar, dois policiais morreram e outros cinco foram feridos após as ações atribuídas aos guerrilheiros.

O ataque de Barranquilla foi atribuído a uma frente urbana do ELN. O ministro da Defesa, Luis Carlos Villegas; disse que o governo considera a guerrilha como responsável pelos atentados.

Santos falou que “dói” ter que suspender os diálogos que estão sendo realizados desde fevereiro do ano passado. “O governo foi generoso e mostrou sua vontade permanente de paz; uma vontade que não pode ser prejudicada pela conjuntura política porque está fundamentada; em princípios; e no meu dever como chefe de Estado; como presidente e como colombiano”, disse Santos.

O presidente explicou que aplicou à ELN o que chamou de “doutrina Rabin”; em referência ao falecido ex-primeiro-ministro de Israel Isaac Rabin; que consiste em, segundo ele; em “combater o terrorismo com toda contundência como se não houvesse negociação de paz e negociar como se não houvesse terrorismo”.

– Para continuar a negociação de paz, essa doutrina exige um mínimo de coerência. Ao mesmo tempo; a minha paciência e a do povo colombiano têm limite – disse Santos.