Fascistas perdem eleições na Suécia, mas obtêm mais cadeiras no Parlamento

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Publicado segunda-feira, 10 de setembro de 2018 as 14:18, por: CdB

Alianças de centro-direita e centro-esquerda são mais votadas, mas não conseguem maioria. Legenda com raízes neonazistas obtém terceiro melhor resultado nas urnas

Por Redação, com DW – de Londres

As eleições parlamentares da Suécia terminaram em incerteza sobre o próximo governo do país escandinavo no domingo, quando o partido governista obteve seu pior resultado nas urnas em um século, diante do crescimento da legenda de extrema direita com raízes neonazistas.

Debates sobre imigração dominaram o pleito

Com isso, a Suécia, um dos países mais liberais da Europa, se junta a outras nações no continente, como Alemanha, Áustria, Hungria e Itália, onde partidos anti-imigração têm recebido apoio nas urnas.

O partido de centro-esquerda Social-Democrata, liderado pelo primeiro-ministro Stefan Löfven, teve a maior parte dos votos, de 28,4%, com 99,8% das urnas apuradas, mas viu sua parcela de assentos no Parlamento ser reduzida.

O bloco governista de centro-esquerda da Suécia, formado pelos social-democratas, pelo Partido Verde e pelo Partido de Esquerda, ficou com 40,6% dos votos, ou 144 assentos de um total de 349. Enquanto isso, a aliança de centro-direita de oposição obteve 40,3% dos votos e 143 assentos no Parlamento.

Ambos os resultados ficaram muito abaixo dos 175 assentos necessários para uma maioria, o que coloca a Suécia frente a uma difícil formação de governo.

Já o partido de extrema direita Democratas Suecos obteve 17,6% dos votos, ou um pouco mais que um sexto do total, ante 12,9% na eleição de quatro anos atrás. O temor entre parcelas da população de que o partido anti-imigração obtivesse um de cada cinco votos não se concretizou, mas eleitores deram aos Democratas Suecos o terceiro melhor resultado do pleito, o que foi o bastante para que o líder do partido, Jimmie Akesson, clamasse vitória.

– Iremos ganhar grande influência sobre a Suécia nas próximas semanas, meses e anos – disse Akesson. Entre as propostas dos Democratas Suecos estão a interrupção dos fluxos de imigração e a saída da Suécia da União Europeia.

Akesson disse que o líder da aliança de centro-direita, Ulf Kristersson, terá que escolher entre buscar o apoio dos Democratas Suecos ou aceitar outros quatro anos de liderança de Löfven.

Por sua vez, Kristersson pediu a renúncia de Löfven, mas rejeitou a proposta de Akesson. “Temos sido completamente claros durante toda a eleição. A aliança não governará ou discutirá formar um governo com os Democratas Suecos”, disse.

Löfven se recusou a renunciar e convidou a oposição a negociar, pedindo cooperação entre os partidos. O primeiro-ministro se referiu aos resultados do pleito como “a morte da política por blocos” na Suécia.

Apoiadores

Löfven afirmou a seus apoiadores que os resultados são reflexo de “uma situação com a qual todos os partidos responsáveis precisam lidar”, acrescentando que um “partido com raízes no nazismo” só pode oferecer ódio aos eleitores.

– Temos uma responsabilidade moral. Precisamos todos juntar forças pelo bem. Não iremos lamentar, iremos nos organizar – disse.

Com um total de 10 milhões de habitantes, a Suécia concedeu asilo a cerca de 163 mil pessoas em 2015 – maior número de refugiados per capita na Europa, o que polarizou eleitores.

Os números recordes de 2015 exacerbaram temores sobre o sistema de bem-estar social da Suécia, que, na visão de muitos eleitores, já estaria em crise, apesar da queda no número de refugiados a entrar no país desde então.

As crescentes filas para cirurgias críticas no sistema de saúde, a falta de médicos e professores, assim como o fracasso da polícia em lidar com a violência de gangues têm abalado a fé no “modelo sueco”, baseado na promessa de inclusão social.

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