Fazenda de Arcanjo no Mato Grosso será desocupada pelo MST

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Publicado terça-feira, 25 de novembro de 2003 as 04:23, por: CdB

A coordenação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) confirmou na última segunda-feira à tarde que a desocupação da fazenda São João da Cachoeira será iniciada na manhã desta terça-feira.
 
A fazenda, localizada às margens da BR-163, em Várzea Grande, foi ocupada por cerca de mil pessoas no dia 4 de novembro e no dia 13 o juiz da 4ª Vara Cível de Várzea Grande, Antônio Horácio da Silva Neto, determinou a reintegração de posse atendendo a um pedido dos advogados do proprietário, João Arcanjo Ribeiro.

De acordo com um dos coordenadores do MST, Altamiro Stochero, a decisão de ocupar a fazenda São João foi a partir das informações de que a mesma estava à disposição da Justiça por se tratar de um dos bens de Arcanjo bloqueados desde a decretação de sua prisão em dezembro do ano passado. Foragido, Arcanjo acabou sendo preso em abril no Uruguai.
 
– A ocupação também foi um ato de pressão para acelerar o assentamento das famílias de sem terra – reconheceu o coordenador.

As famílias que ocuparam a fazenda de Arcanjo vieram de várias regiões como de Rondonópolis, Tangará da Serra e de Cáceres, de onde foram despejadas de algumas fazendas por ordem judicial. De acordo com Stochero, os sem-terra deverão passar a noite de hoje no Trevo do Lagarto.
 
– É provável que nesta quarta-feira eles acampem no Incra [localizado no Centro Político Administrativo – informou.

Durante o tempo de ocupação, por duas vezes os sem-terra interditaram a BR-163. A Polícia Militar fez a segurança do local e permaneceu na fazenda algumas noites diante do clima de insegurança denunciado pelos sem-terra que afirmavam que existiam funcionários armados cuidando da fazenda.

A notificação da decisão judicial só chegou à Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) no dia 19. Na última sexta-feira o secretário adjunto de Segurança Pública, coronel Victor Hugo Metello de Siqueira, informou que estava sendo feito um estudo da situação.
 
A autorização para o cumprimento do mandado de reintegração de posse é feita pelo Comitê Estadual de Acompanhamento de Conflitos Fundiários, após analisar informações tais como condições geográficas da área, número de pessoas e outras informações necessárias ao planejamento da ação. O comitê é integrado por representantes da Casa Civil, Procuradoria Geral do Estado, Sejusp, Defensoria Pública do Estado e intermat.