Febre amarela coloca o Brasil em alerta, após mais de um século

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Publicado sábado, 13 de janeiro de 2018 as 16:53, por: CdB

Há poucos meses, governo havia dado maior surto da febre amarela, em décadas, como encerrado. Mas novas mortes assustam população. Até 20 milhões devem ser vacinados. Há risco de “reurbanização” da doença.

 
Por Redação, com DW – do Rio de Janeiro e São Paulo

 

O registro de novas mortes decorrentes da infecção pelo vírus da febre amarela em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais assustaram a população neste início de ano. Em agosto do ano passado, o Ministério da Saúde havia dado como encerrado o maior surto da doença no país desde 1980.

A vacina para febre amarela será aplicada em doses fracionadas
A vacina para febre amarela será aplicada em doses fracionadas

O número de mortes por febre amarela, em São Paulo, subiu de 13 para 21 até este sábado; ao menos sete delas em 2018. O Rio detectou dois novos casos, um deles com óbito; e Minas Gerais confirmou nove mortes pela doença desde o fim do ano passado. 

Áreas de risco

Cerca de 20 milhões de pessoas deverão ser vacinadas contra a doença a partir de fevereiro em Rio de Janeiro, Bahia e São Paulo, como forma de evitar a propagação do vírus em lugares que, até então, não possuíam recomendação para a vacinação.

Especialistas ouvidos pela DW Brasil dizem que o aumento de casos no verão já era esperado, pela característica sazonal da doença. Com a elevação da temperatura e dos índices pluviométricos, estão dadas as condições para que os mosquitos transmissores se reproduzam, assim como acontece com a dengue.

Num período em que muitas pessoas das grandes cidades tiram férias e viajam para regiões rurais, o risco de uma transmissão urbana não está descartado por autoridades e pesquisadores. O contágio da doença nas cidades não é observado no país desde 1942.

Um alerta

Coordenador de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Renato Alves diz que o governo trabalha com essa possibilidade somente no campo teórico, sem considerá-la provável.

— Embora, esporadicamente, pessoas que não estão vacinadas se exponham às áreas de mata, como nos casos observados em São Paulo, grande parte do contingente populacional urbano tem uma cobertura vacinal boa, o que oferece uma proteção maior. Além disso, todo o trabalho de controle feito nas doenças transmitidas pelo Aedes aegypti se intensifica no verão. Essas situações nos dão uma segurança muito grande — afirma.

Professor emérito da Universidade de Brasília (UnB), o médico epidemiologista Pedro Luiz Tauil também considera remotas as chances do que chama de “reurbanização” da doença. Entretanto, diz que os casos registrados em São Paulo nas últimas semanas acendem um alerta.

— São casos terríveis, de pessoas que estão vindo para as cidades. Nelas, o vírus pode estar ainda no sangue circulante, entre o início dos sintomas e o terceiro ou quarto dia, quando é transmissível para o [mosquito] Aedes aegypti. O mesmo vale para pessoas das áreas rurais que vêm às zonas urbanas em busca de tratamento médico. Por isso, todos devem estar vacinados — alerta o especialista.

Dose fracionada

Para conter a expansão do vírus, o Ministério da Saúde comunicou; nesta semana, que as vacinas seriam oferecidas à população em doses fracionadas. Principalmente, nas regiões onde há alto risco de contaminação da doença. Enquanto a dose padrão leva 0,5 ml de soro e protege o paciente para o resto da vida, esta contém apenas 0,1 ml e seu efeito dura cerca de oito anos.

A medida foi adotada pela primeira vez durante as epidemias de febre amarela na República Democrática do Congo e em Angola, em 2016. Nos dois países, a oferta de doses fracionadas da vacina permitiu a interrupção da epidemia. O professor da UnB aprova a escolha do Ministério da Saúde. Mas destaca que só deve ser empregado em caráter excepcional. E ressalta a importância de a vacinação ser mantida nos períodos em que o vírus não representar ameaças à população.

— O Brasil é o maior produtor de vacina contra a febre amarela no mundo. Mas, mesmo em nível global, não existem vacinas suficientes para atender a toda a população brasileira. Se houver disponibilidade, deve-se dar preferência para a vacina completa, porque a duração do efeito já foi testada. No caso da dose fracionada, esse tempo ainda precisa ser confirmado — conclui.

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