Filhas de Saddam se irritam com a pobreza

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Publicado domingo, 1 de junho de 2003 as 22:43, por: CdB

Duas das três filhas de Saddam Hussein estão sentindo na pele o impacto da queda do ex-ditador iraquiano. Acostumadas a viver nos palácios presidenciais que o pai mandou construir pelo país afora, Raghad e Rana estão vivendo cada uma “espremida” com os filhos (ao todo, nove) em um quarto de uma casa comum em Bagdá. Em maio, elas receberam por duas vezes a visita de Izziddin Mohammed Hassan al-Majid, primo de Saddam, que contou a história para o jornal árabe Asharq Al-Awsat.

Al-Majid era primo também dos falecidos maridos de Raghad e Rana, os irmãos Hussein e Saddam Kamel, que ganharam fama mundial em 1995, quando fugiram (com as mulheres) para a Jordânia. Oficiais do Exército iraquiano, eles teriam pedido asilo no Ocidente em troca de supostas informações sigilosas sobre os programas de armas nucleares, químicas e biológicas do ditador. No ano seguinte, voltaram ao Iraque, com as famílias, aceitando um perdão oferecido por Saddam, mas logo foram assassinados.

O próprio Al-Majid fugiu do Iraque na mesma época, mas, ao contrário dos primos, exilou-se em Londres para só voltar em abril, depois que a coalizão anglo-americana ocupou Bagdá e depôs Saddam. Falando por telefone ao Asharq Al-Awsat, ele garantiu que Raghad e Rana não sabem do paradeiro do pai nem dos irmãos Uday e Qusay. Os três são os homens mais procurados no Iraque pelas tropas aliadas.

– Elas estão muito revoltadas com tudo que está acontecendo no Iraque. Vi lágrimas nos olhos delas, especialmente quando falavam da queda do regime. Elas agora lavam a roupa com as próprias mãos, arrumam a casa, cozinham – exemplifica Al-Majid.

Estressadas com a rotina de gente simples, depois de uma vida com criados, guarda-costas e todas as comodidades e privilégios, as filhas de Saddam destilam rancor contra os homens de confiança que, na última hora, teriam traído o ditador.

– Raghad me disse que o regime caiu porque os assessores do pai só estavam interessados no poder e no dinheiro – contou Al-Majid. Ele em breve voltará a Londres para negociar um pedido de asilo para as “órfãs” de Saddam.