Filme que lembra chacina de camponeses marxistas, na Guatemala, concorre ao Globo de Ouro

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Publicado domingo, 14 de fevereiro de 2021 as 15:14, por: CdB

O longa mescla a história da Chorona, um clássico do folclore latino-americano, com o massacre de camponeses da etnia Maia por militares que comandaram uma ditadura sanguinária, na década de 80.

Por Redação, com agências internacionais – de Los Angeles, CA-EUA

A Maldição da Mulher que Chora (La Llorona, 2019), de Jayro Bustamante, será o primeiro filme da Guatemala a concorrer a um Globo de Ouro. O longa é categorizado como terror, suspense e realismo mágico, e concorre na categoria de Melhor Filme de Língua Estrangeira. A distribuição dos prêmios ocorrem no dia 28 de fevereiro, domingo.

O filme mistura realismo fantástico a fatos históricos sobre a ação da ditadura guatemalteca contra militantes comunistas

Além de ser a primeira obra da Guatemala a concorrer ao prestigiado prêmio em Hollywood, o filme chama a atenção por ser um retrato criativo de uma verdadeira história de terror. O longa mescla a história da Chorona, um clássico do folclore latino-americano, com o massacre de camponeses da etnia Maia por militares que comandaram uma ditadura no país entre 1981 e 1983.

Foram 250 mil mulheres, homens e crianças massacrados durante o período. Por seus crimes, o ex-presidente Efraín Ríos Montt foi condenado em 2013. Entretanto, sua sentença foi anulada em tribunais superiores e ele morreu em 2018 sem cumprir um dia de pena pelas atrocidades cometidas contra os camponeses.

Horror

De um lado, o horror da realidade quando o governo militar dizimou herdeiros dos maias dentro de uma lógica bem conhecida pelos brasileiros: o governo ditatorial acusava os trabalhadores e trabalhadoras camponesas de colaborar com regimes marxistas, como Cuba e União Soviética. Do outro, a lenda de uma mulher que afogou seus filhos e sua alma arrependida vaga chorando pelos vilarejos em busca de redenção.

A protagonista do filme, Alma, vê seus filhos afogados por militares durante os massacres e é impedida de chorar pelos carrascos, sob pena da própria morte. Depois disso, ela acaba trabalhando na casa de um militar reformado como empregada doméstica. Seus lamentos e choros nas noites passam a atormentar o chefe assassino.

— Além do orgulho de ter um filme da Guatemala indicado, a história que ele conta é muito relevante. Obrigado —, disse a deputada de esquerda e ex-ministra da Saúde da Guatemala Lucrecia Hernández Mack.

O diretor, Bustamante, também agradeceu a indicação. “Obrigado aos @goldenglobes pela nomeação, por abraçar o nosso cinema e a história recente do nosso país que merece chegar ao público internacional”, disse em uma rede social.

Destaque

A indicação já é uma conquista, entretanto, a competição pela estatueta será dura neste ano. Além do filme guatemalteca, concorrem filmes de grande destaque como o dinamarquês Another Round (Druk, 2020), de Thomas Vinterberg. O longa apresenta uma caricatura do povo dinamarquês e sua relação com a bebida alcoólica, além de dilemas relacionados ao envelhecimento. Um dos protagonistas é Mads Mikkelsen. O renomado artista entrega uma atuação de gala em uma obra original e empolgante.

Também concorrem A Vida pela Frente (2020), do italiano Edoardo Ponti; uma obra que traz a lenda Sophia Loren como uma sobrevivente do Holocausto e sua relação de amizade com um órfão. Outra exceção neste panteão de filmes em língua não inglesa está um filme dos Estados Unidos. Minari (2020), de Lee Isaac Chung, é falado em sua maior parte em coreano e trata de uma família de imigrantes em busca do “sonho americano”. Nós Duas (2019), de Filippo Meneghetti, trata do romance escondido de duas aposentadas vizinhas na França.

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