Fim do auxílio emergencial leva mais de 26 milhões à miséria, calcula FGV

Arquivado em: Comércio, Indústria, Negócios, Serviços, Últimas Notícias
Publicado domingo, 31 de janeiro de 2021 as 15:14, por: CdB

O nível de pobreza, segundo o levantamento, é o mais alto em dez anos e coincide com o fim do pagamento do auxílio emergencial. Os dados colhidos nas Pesquisas Nacionais por Amostra de Domicílio (Pnads Contínua e covid-19) apontam que a pobreza aumentou, significativamente.

Por Redação – de São Paulo

A pobreza extrema no Brasil atingiu o maior nível em uma década e atinge mais de 26 milhões de pessoas, de acordo com uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgada neste domingo. Conforme a pesquisa da FGV Social, com base em informações compiladas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 12,8% dos brasileiros vivem hoje com menos de R$ 246 por mês, ou R$ 8,20 por dia.

O documento classifica como população em situação de rua “o grupo populacional heterogêneo que possui em comum a pobreza extrema
A população em situação de rua, grupo populacional heterogêneo que possui em comum a pobreza extrema, já cresceu nas últimas semanas

O nível de pobreza, segundo o levantamento, é o mais alto em dez anos e coincide com o fim do pagamento do auxílio emergencial. Os dados colhidos nas Pesquisas Nacionais por Amostra de Domicílio (Pnads Contínua e covid-19) apontam que a pobreza aumentou, significativamente, após a redução dos pagamentos pela metade, em outubro do ano passado, e chegou ao patamar atual após o fim do programa, encerrado em dezembro.

Em agosto de 2020, o pagamento do auxílio emergencial de R$ 600 a cerca de 55 milhões de brasileiros chegou a derrubar a pobreza extrema no país para 4,5%, cerca de 9,4 milhões de pessoas, o menor índice já registrado. A medida serviu de apoio às pessoas afetadas pelas restrições sociais impostas para conter o avanço da covid-19.

Serviços

Ainda segundo os dados, as parcelas mais impactadas da sociedade brasileira com a perda de renda durante a pandemia são os jovens, os sem escolaridade, os nordestinos e os negros.

Um dos setores mais afetados pela pandemia foi o de serviços, o que impacta tanto a renda dos mais pobres quanto o consumo das famílias, que representa cerca de 65% do PIB brasileiro. Somado a isso, em 2020, a inflação dos preços de alimentos atingiu 15,4% e o valor da cesta básica em relação ao salário mínimo chegou ao maior patamar em 12 anos – 53,45% -, segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE).

O desemprego no país também está em níveis altos e crescendo, segundo dados do IBGE. A Pnad Contínua apontou 14,6% de desempregados no país no final do terceiro trimestre de 2020. Ainda não há dados consolidados sobre o PIB brasileiro do ano passado, mas a expectativa é de queda em torno de 5%, ainda segundo o IBGE.