Fim de semana em hotel paradisíaco custa caro ao senador Bolsonaro

Arquivado em: Brasil, Últimas Notícias
Publicado segunda-feira, 19 de abril de 2021 as 16:38, por: CdB

O senador e a mulher, Fernanda Bolsonaro, com os três filhos – chegaram ao Ceará na quinta-feira e se hospedaram no hotel de luxo Carmel Taíba, com diárias a partir de R$ 3.549, a um custo básico das despesas na casa dos R$ 20 mil, incluído traslado.

Por Redação – de Brasília

O fim de semana do qual o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) saiu estropiado, com o deslocamento do ombro e uma fratura substancial no orçamento do mês, ficará ainda mais dolorido com mais uma ação a caminho do Conselho de Ética, por suspeita de ganhos ilícitos, na trilha da investigação que o acompanha, no Estado do Rio de Janeiro, por envolvimento com a milícia e o esquema da ‘rachadinha’, liderado por Fabrício Queiroz, seu lugar-tenente no gabinete que ocupava quando deputado estadual.

ACS
O resort, no Ceará, cobra diárias de mais de R$ 3 mil; além das despesas extras e o traslado

O senador e a mulher, Fernanda Bolsonaro, com os três filhos – chegaram ao Ceará na quinta-feira e se hospedaram no hotel de luxo Carmel Taíba, com diárias a partir de R$ 3.549, a um custo básico das despesas na casa dos R$ 20 mil, incluído traslado. O salário do senador é de R$ 39,3 mensais mas, somadas as vantagens do cargo, supera a casa dos R$ 100 mil.

Apesar da recente compra de uma mansão por R$ 5,97 milhões, o filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) acumula nos vencimentos o auxílio-moradia mensal de até R$ 3,8 mil. O plano de saúde ilimitado para uso próprio e de seus dependentes também pagou os custos decorridos do acidente no quadriciclo, neste sábado.

No gabinete, acumula ainda a cota mensal de R$ 15.000,00 para gastos de material em gabinete e escritório político. E vai adiante, com R$ 8.500,00 para impressão de material de divulgação e gráfico; assinatura de jornais e revistas; gastos de até R$ 500,00 com telefone fixo; ilimitado para o celular; mais direito mensal a 300 litros de gasolina; além de cinco passagens aéreas de ida e volta por mês para o Estado de origem, com gastos que variam de R$ 21.045,20 a R$ 44.276,60.

Corrupção

Considerando que o Plano de Saúde é ilimitado, extensivo à família e para além do mandato, bastaria isso para complicar o cálculo de quanto ganha, ao certo, o filho ’01’ de Bolsonaro. A falta de moderação nos gastos e seu histórico de negócios imobiliários extremamente lucrativos, na contramão do mercado, no entanto, já significam uma pisada no freio do discurso sobre corrupção que embalou a campanha do pai dele, em 2018.

Parlamentares do grupo parlamentar denominado ‘Centrão’, que reúne os setores mais venais da Câmara e do Senado, até eles já perceberam que o discurso anticorrupção encampado por Bolsonaro tende a perder a predominância, em face dos casos envolvendo a família do presidente. Não apenas o ’01’, mas o ’02’, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), também responde a inquérito sobre o esquema da ‘rachadinha’.

Setores do Planalto avaliam que a polarização será mesmo entre o atual presidente e o líder petista Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Desenha-se, portanto, um cenário que em tese permitiria a repetição do discurso radical em defesa da pauta de costumes e das críticas às bandeiras progressistas mas, ao perder a retórica anti-corrupção, o mandatário entra enfraquecido na disputa por 2022.

Antigo Coaf

Até lá, já terá avançado a investigação liberada pela maioria da Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que rejeitou no mês passado um recurso do senador em que tentava anular toda a investigação do caso da “rachadinha” no Estado do Rio.

Por três votos a dois, o colegiado considerou que o compartilhamento de dados financeiros do senador e do seu ex-assessor Fabricio Queiroz entre a Unidade de Inteligência Financeira (UIF, antigo Coaf) e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPE-RJ) foi regular.

Esses relatórios do antigo Coaf apontaram para uma série de movimentações suspeitas nas contas de Queiroz e Flávio, dando início à investigação do MPE-RJ. Caso o compartilhamento de informações fosse considerado ilegal, toda a apuração criminal realizada a partir dali poderia ser anulada, o que inviabilizaria o processo.