Financiador de filme sobre Lava Jato dá calote e pede concordata

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Publicado quinta-feira, 18 de julho de 2019 as 19:29, por: CdB

Em abril deste ano, o Banco do Brasil bloqueou as contas da Jari e de seus diretores, entre eles o empresário Sérgio Amoroso, levando-a a paralisar parte da produção. As empresas do grupo que entraram em recuperação judicial empregam cerca de 700 trabalhadores.

 

Por Redação – de Curitiba e Jari, MT

 

Patrocinador do filme Polícia Federal: A Lei é para Todos, um fracasso de crítica e bilheteria, o empresário Sérgio Amoroso assinou, nesta quarta-feira, um pedido de concordata para a empresa Jari Celulose, patrocinadora do empreendimento cinematográfico fracassado. O pedido de recuperação judicial foi aceito pela Justiça do Pará, Estado onde se localiza a sede da empreiteira.

Amoroso acumula prejuízos tanto com a operação em Jari quanto com o filme produzido, que foi um fracasso de bilheteria
Amoroso acumula prejuízos tanto com a operação em Jari quanto com o filme produzido, que foi um fracasso de bilheteria

Entre outras atividades, a Jari produz celulose solúvel no Vale do Jari, região amazônica entre os Estados do Pará e do Amapá. Controlada por Amoroso, a dívida de face no processo é de R$ 1,75 bilhão. A intenção é apresentar o plano de recuperação dentro dos 60 dias previstos em lei.

Presidente da Jari Celulose, Patrick Nogueira disse a jornalistas, nesta manhã, que o grupo busca um acordo com os credores, até que possa pensar em um plano de recuperação plausível.

— A Jari é um caso de recuperação judicial. Temos um mercado maravilhoso e só precisamos de tempo para arrumar a casa — afirmou.

A Jari Celulose também teve problemas na conversão da fábrica de celulose de fibra curta para a celulose solúvel há alguns anos, o que levou à paralisação da operação por um longo período.

Em abril deste ano, o Banco do Brasil bloqueou as contas da Jari, levando-a a paralisar parte da produção. As empresas do grupo que entraram em recuperação judicial empregam cerca de 700 trabalhadores diretos e 2 mil indiretos.

Cinema

Amoroso estreou na sua curta carreira de produtor de cinema com a controversa história sobre a Operação Lava Jato. O filme, no entanto, apresenta apenas a visão de policiais federais. Antes dos vazamentos de diálogos suspeitos entre o ex-juiz Sérgio Moro, hoje ministro da Justiça e Segurança Pública, e os procuradores da Lava Jato, pela agência norte-americana de notícias Intercept Brasil, os partidos de oposição ao governo de Jair Bolsonaro (PSL) já haviam denunciado o possível conluio para a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, antes das eleições de 2018.

O filme patrocinado por Amoroso chega até a condução coercitiva do ex-presidente Lula. Em tom afetado, tenta reproduzir o dia em que o líder petista e a presidenta deposta Dilma Rousseff conversaram, em 2016, sobre sua nomeação para a chefia da Casa Civil.

Moro divulgou um grampo da conversa, o que era ilegal porque um dos participantes do diálogo era a mandatária e tinha prerrogativa de foro por função. Consequentemente, caberia à primeira instância mandar as provas para a corte indicada. Moro pediu ‘excusas’ ao Supremo Tribunal Federal (STF).

No reverso da moeda, o vazamento das mensagens de Moro com procuradores, as irregularidades reveladas pela Intercept, devem virar um filme. Os produtores já teriam negociado com Greenwald os direitos da produção.

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