Físico britânico Stephen Hawking morre aos 76 anos

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Publicado quarta-feira, 14 de março de 2018 as 09:26, por: CdB

Autor de grande parte das descobertas da astrofísica moderna tinha 76 anos de idade. Doença degenerativa não impediu que ele revolucionasse a compreensão humana sobre o universo

Por Redação, com DW – de Londres:

O físico britânico Stephen Hawking morreu nesta quarta-feira aos 76 anos de idade, em sua casa em Cambridge, informou sua família em comunicado.

Stephen Hawking morreu aos 76 anos de idade em sua casa em Cambridge

O cientista, conhecido por seu trabalho na área da relatividade, é autor de grande parte das descobertas da astrofísica moderna; como a nova teoria do espaço-tempo e a radiação dos buracos negros.

– Estamos profundamente tristes com a morte do nosso amado pai no dia de hoje. Foi um grande cientista e um homem extraordinário, cujo trabalho e legado permanecerão por muitos anos – escreveram os filhos do cientista, Lucy, Robert e Tim.

Hawking é um dos cientistas de maior destaque desde o físico alemão Albert Einstein, o autor da teoria da relatividade. Nascido em Oxford, no dia 8 de janeiro de 1942, em uma família de intelectuais, ele iniciou seus estudos em em 1959 na Universidade de Oxford, e obteve seu doutorado em Física Teórica e Cosmologia em Cambridge.

Big Bang e Teoria de Tudo

Após conseguir seu doutorado, Hawking se dedicou à pesquisa e ao ensino ensino na faculdade de Gonville e Caius. Em 1977, ingressou no Departamento de Matemática Aplicada e Física Teórica de Cambridge, onde foi professor de Física Gravitacional.

Três anos depois, chegou a titularidade da cátedra Lucasiana de Matemática Aplicada e Física Teórica, a mais importante de Cambridge, que foi ocupada por Isaac Newton em 1663.

Seu trabalho tinha como objetivo desvendar as leis que governam o universo. Junto com seu colega Roger Penrose; Hawking mostrou que a teoria da relatividade implica que o espaço e o tempo devem ter um ponto inicial; que denominou Big Bang, e um final, dentro dos buracos negros.

Nos anos 1970, ele descobriu que a combinação das leis da mecânica quântica e da relatividade geral evitariam que os buracos negros fossem completamente negros, uma vez que emitiam uma radiação, que passou a ser conhecida como “radiação Hawking”.

Como professor de matemática na universidade de Cambridge, Hawking participou de uma das mais importantes pesquisas na área da física, sobre a chamada “Teoria de Tudo”; que resolveria as contradições entre a teoria geral da relatividade; que descreve as leis da gravidade que determinam o movimento de corpos como planetas; e a teoria da mecânica quântica, que lida com partículas subatômicas.

Hawking chegou a afirmar que a Teoria de Tudo permitiria à humanidade “conhecer a mente de Deus”. O nome pesquisa foi utilizado no título de um filme de 2014 que retrata a vida pessoal e acadêmica do cientista.

“Uma Breve História do Tempo”

Hawking revolucionou a física com as suas teorias do espaço-tempo, o Big Bang e a radiação dos buracos negros; resumidos em Uma Breve História do Tempo. O livro teve mais de 25 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo.

A obra serviu como base para uma série de televisão da BBC; onde o cientista trabalhou 1993 e 1996, chamada Into the Universe with Stephen Hawking (“Dentro do Universo com Stephen Hawking”, em tradução livre).

Outro livro de sua autoria, O Universo Numa Casca de Noz; explica conceitos como a supergravitação; singularidade nua e a possibilidade de um universo com onze dimensões.

Hawking sofre esclerose lateral amiotrófica (ELA) desde os 21 anos; e surpreendeu os médicos ao passar dos 50 anos de idade. A doença se caracteriza pela degeneração dos neurônios motores; as células do sistema nervoso central que controlam os movimentos voluntários dos músculos.

Em 1985, uma grave pneumonia fez com que ele tivesse de respirar por um tubo; o que o forçou a se comunicar através de um sintetizador de voz eletrônico. Porém, nada disso impediu Hawking de continuar a desenvolver suas pesquisas; e se casar pela segunda vez. Desde 2005, ele se comunicava movendo apenas um músculo sob seu olho; que acionava o sintetizador de voz.

– Sua coragem e persistência, seu brilho e humor inspiraram pessoas em todo o mundo – disseram seus filhos após a morte do cientista.”Ele disse um dia que ‘este não seria um grande universo se não fosse a casa das pessoas que amamos'”; acrescentaram.

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