França alerta Estados Unidos sobre retaliação contra imposto digital

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Publicado segunda-feira, 6 de janeiro de 2020 as 10:43, por: CdB

Washington ameaçou impor taxas de até 100% sobre as importações de champanhe, bolsas e outros produtos franceses no valor de US$ 2,4 bilhões.

Por Redação, com Reuters – de Paris/Berlim/Washington

O ministro da Economia francês, Bruno Le Maire, alertou os Estados Unidos nesta segunda-feira que qualquer retaliação ao novo imposto sobre serviços digitais da França pode “profunda e duradouramente” prejudicar as relações entre os países.

França alerta EUA sobre retaliação contra imposto digital
França alerta EUA sobre retaliação contra imposto digital

Washington ameaçou impor taxas de até 100% sobre as importações de champanhe, bolsas e outros produtos franceses no valor de US$ 2,4 bilhões depois que uma investigação do governo dos EUA descobriu que o imposto prejudicará as empresas de tecnologia norte-americanas.

– Se os norte-americanos decidirem avançar e impor sanções contra o imposto digital … neste caso, retaliaremos – disse Le Maire à rádio France Inter.

Sanções

– Se houver sanções, e é possível que tomemos sanções, entraremos em contato imediatamente com a OMC (Organização Mundial do Comércio) – acrescentou.

Le Maire disse que enviou uma carta sobre o assunto ao representante de comércio dos EUA, Robert Lightizer, e também discutirá o assunto com o secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, por telefone.

– Se os EUA decidirem impor sanções comerciais contra a UE sobre o imposto francês sobre serviços digitais, isso afetará profunda e duradouramente a relação transatlântica em um momento em que precisamos permanecer unidos – escreveu o ministro na carta vista pela agência inglesa de notícias Reuters.

Le Maire também disse na carta que a França estava “em contato com a Comissão Europeia e outros Estados-Membros da UE sobre o assunto” e que eles estavam “contemplando as várias opções para defender nossos direitos comerciais de maneira proporcional e determinada, como temos no passado”.

Em julho, o governo decidiu aplicar uma taxa de 3% sobre a receita de serviços digitais auferida na França por empresas com mais de 25 milhões de euros em receita no país e 750 milhões de euros em todo o mundo.

A União Europeia afirmou que apoiará a França na disputa com os Estados Unidos.

Amazon pondera abrir lojas na Alemanha

A Amazon.com está considerando abrir lojas na Alemanha, seu segundo maior mercado depois dos Estados Unidos, teria dito no sábado o chefe da empresa de comércio virtual no país.

– O fato é que sabemos que clientes fazem compras offline e que gostam de variedade – disse Ralf Kleber em entrevista, segundo o jornal alemão Welt am Sonntag, acrescentando que ele se recusou a dar detalhes concretos ou um cronograma.

A Amazon já opera lojas nos Estados Unidos e no Reino Unido, incluindo a cadeia Whole Foods e a Amazon Go, uma loja de comida sem caixas ou atendentes.

Kleber também disse ao jornal que a Amazon quer encorajar a compra por meio dos dispositivos controlados por voz Alexa, citando que seu Echo Dot estava sendo vendido por um baixo preço para incentivar sua ampla adoção.

Ferramentas cibernéticas

Uma lei aprovada recentemente levará o Departamento de Estado dos Estados Unidos a divulgar como fiscaliza a venda de ferramentas e serviços cibernéticos no exterior.

A medida veio após à Reuters revelar que prestadores norte-americanos de serviços de inteligência ajudaram clandestinamente uma operação de espionagem nos Emirados Árabes Unidos, ajudando a monarquia do país a reprimir a dissidência interna.

A lei instrui o Departamento de Estado a reportar ao Congresso dentro de 90 dias sobre como controla a distribuição de ferramentas cibernéticas e divulgar qualquer ação que tenha sido tomada para punir empresas por violar suas políticas.

De acordo com a lei dos EUA, empresas que vendem produtos ou serviços hackers para governos estrangeiros devem primeiro obter a permissão do Departamento de Estado.

Os parlamentares dos EUA e defensores dos direitos humanos estão cada vez mais preocupados com o fato de as ferramentas hackers desenvolvidas para os serviços de espionagem dos EUA serem vendidas no exterior com pouca supervisão.

– Assim como regulamos a exportação de mísseis e armas para países estrangeiros, precisamos supervisionar adequadamente a venda de recursos cibernéticos – disse o congressista Ruppersberger, de Maryland, que redigiu a lei.

A medida vem após investigação da Reuters, disseram funcionários do congresso, que mostrou que os contratados pelos EUA administravam uma unidade hacker nos Emirados Árabes Unidos chamada Project Raven e que o Departamento de Estado deu permissão a três empresas para auxiliarem o governo dos Emirados na vigilância.

Um porta-voz do Departamento de Estado se recusou a comentar. A entidade disse anteriormente que as preocupações com direitos humanos são cuidadosamente avaliadas antes da emissão dessas licenças, mas se recusou a comentar as autorizações concedidas ao Projeto Raven.

A Embaixada dos Emirados Árabes em Washington não respondeu a um pedido de comentário. Em resposta à reportagem da Reuters, um alto funcionário dos Emirados disse no ano passado que o país tinha “capacidade cibernética” necessária para se proteger.