Francisco leva mensagem ao Chile com missão de restaurar credibilidade da Igreja

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Publicado terça-feira, 16 de janeiro de 2018 as 11:05, por: CdB

Os escândalos levaram a algumas manifestações planejadas contra a presença do pontífice, que chegou na segunda-feira ao Chile para uma visita de quatro dias

Por Redação, com Reuters – de Santiago:

Milhares de fiéis chilenos e de países vizinhos se preparavam desde cedo nesta terça-feira para escutar à primeira mensagem do papa Francisco na capital chilena, que terá a missão de restaurar a credibilidade da Igreja Católica em um país afetado por abusos sexuais de membros do clero.

Papa Francisco leva mensagem ao Chile

Os escândalos levaram a algumas manifestações planejadas contra a presença do pontífice; que chegou na segunda-feira ao Chile para uma visita de quatro dias, nos quais irá se dirigir não só a católicos mais fervorosos. Mas também a indígenas e imigrantes que pedem um tratamento mais justo em um país onde a desigualdade é um persistente flagelo.

Católicos

Desde a madrugada, milhares de devotos católicos acamparam com sacos de dormir e cobertores no Parque O’Higgins; uma das maiores áreas arborizadas de Santiago, para escutar à primeira grande missa do papa; que teve presença de até 500 mil pessoas.

– Saímos muito cedo, viajamos de San Francisco de Mostazal (ao sul de Santiago); chegamos à 4h da manhã na entrada no parque. Chegamos aqui e não nos movemos mais – disse Angelina Soto, dona de casa de 67 anos; que viajou com sua filha e sua irmã.

– Acredito que isto vai mudar um pouco a comunidade dos chilenos; para que sejamos mais generosos, que a brecha social diminua um pouco; é o mais feio aqui no Chile – acrescentou.

O primeiro papa latino-americano, que nasceu na Argentina e viveu cerca de um ano no Chile durante sua juventude, admitiu no voo a Santiago que sente proximidade com o país, onde irá permanecer até quinta-feira, para então viajar ao Peru.

Esta é a segunda visita de um papa ao país majoritariamente conservador. O papa João Paulo 2º visitou o país em 1987, no rescaldo da ditadura de Augusto Pinochet, uma época marcada por violações dos direitos humanos e pela pobreza.

Nação

Mas agora Francisco visita uma nação que busca alcançar o matrimônio igualitário, igualdade para as mulheres; respeito à identidade de gênero e à imigração, através de iniciativas impulsionadas pela presidente socialista Michelle Bachelet.

E também onde os católicos se reduziram em quase um terço nas últimas duas décadas, segundo pesquisa da Latinobarómetro.

Antes da grande missa, Francisco visitou o palácio presidencial, onde fez sua primeira mensagem à nação. Foram convidados à cerimônia autoridades de diferentes poderes do Estado e também o presidente eleito, o multimilionário de centro-direita Sebastián Piñera, que irá assumir em março.

Depois o pontífice e Bachelet terão uma reunião particular.

Para a mesma hora em que o papa participa dos atos no Palácio de La Moneda, grupos e minorias convocaram uma marcha pelos pobres e para se queixarem dos quase US$ 17 milhões em gastos com segurança, logística e organização para a visita de Francisco.

Na madrugada desta terça-feira, duas capelas no sul de Cunco, na região de Araucanía, foram destruídas e outra paróquia em Santiago também foi atacada.

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