Freixo deixa o PSOL, migra para o PSB e garante candidatura ao governo do Estado

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Publicado sexta-feira, 11 de junho de 2021 as 16:29, por: CdB

Freixo deixou o PSOL, legenda que ajudou a estruturar ao longo de sua carreira política, depois de discordar da decisão do partido de vetar alianças fora do campo das esquerdas. Sua desfiliação, no entanto, foi negociada com a direção nacional da sigla.

Por Redação – do Rio de Janeiro

O deputado federal Marcelo Freixo garantiu sua pré-candidato ao governo do Estado do Rio ao entregar, nesta sexta-feira, a carta de desfiliação do PSOL. Freixo migrou para o PSB e já contratou integrantes para sua equipe de campanha, com integrantes dos governos Fernando Henrique (PSDB) e Temer (MDB), para estruturar seu programa de governo.

Freixo teve um encontro com Lula (PT) e Jandira Feghali (PCdoB), para falar de política

Freixo deixou o PSOL, legenda que ajudou a estruturar ao longo de sua carreira política, depois de discordar da decisão do partido de vetar alianças fora do campo das esquerdas. Sua desfiliação, no entanto, foi negociada com a direção nacional da sigla e evitou que precisasse aguardar a abertura da janela partidária, apenas em março do ano que vem, sob risco de perda de mandato.

Na véspera, Freixo encontrou-se com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e com os deputados federais Alessandro Molon (PSB) e Jandira Feghali (PCdoB). O PT, por sua vez, tem acenado com o apoio a Freixo ao governo, abrindo mão de candidatura própria. Na reunião, Lula defendeu uma frente ampla para as eleições estaduais e, principalmente, federal. Fez acenos ao PSB e evitou críticas ao PDT, sigla do possível candidato à Presidência Ciro Gomes.

Equipe

Freixo abriu uma linha de diálogo com o economista André Lara Resende, um dos criadores do Plano Real e assessor especial da Presidência de Fernando Henrique Cardoso (PSDB); além de presidente do BNDES na ocasião. O parlamentar conta com Resende para ser um dos redatores de seu plano econômico.

A equipe de campanha de Freixo também inclui o ex-ministro Raul Jungmann, que esteve à frente de duas pastas (Defesa e Segurança Pública), durante o governo Temer. O economista Carlos Gadelha, pesquisador da Fiocruz, também integra o grupo. Outro expoente que tem mantido contato com Freixo é o marqueteiro Renato Pereira, que atuou em campanhas do MDB fluminense, como do próprio Paes e dos ex-governadores Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão.

Embora tenha sido negociada, a desfiliação de Freixo do PSOL não passou em brancas nuvens. O jornalista Milton Temer, quadro histórico da legenda, publicou nas redes sociais, nesta sexta-feira, um recado ao parlamentar e recomenda que “não se curve ao eleitoralismo descompromissado com a verdadeira transformação estrutural da sociedade brasileira”.

Argumento

“É tudo que posso desejar a Marcelo Freixo, cuja ficha de filiação ao PSOL foi avalizada por mim, e em cuja decisão de transferência para a eclética legenda do atual PSB não tive nada a ver. 

“Considero que esteja cometendo um grande erro, pois não será no PSB que Freixo vai conseguir construir essa frente sem eixo, verdadeiro pacto de anormais, onde se tenta misturar alhos com bugalhos, água com óleo. Não dá junta.

“O argumento de que, para combater Bolsonaro em sua marcha batida para um projeto autoritário pessoal vale qualquer aliança, não se sustenta. Não se responde ao avanço da direita com a despolitização da política. Por outra expressão não se pode apresentar como tal do que, para a necessária luta pela exterminação das criminosas milícias que aterrorizam as comunidades carentes se deva buscar uma frente amplíssima, alianças com quem, quando na prefeitura do Rio, louvou essas milícias como agentes disciplinadores das favelas. Sim, foi o que então disse o prefeito Cesar Maia, na gestão em que se geraram como quadros Eduardo Paes e MiniMaia.

MiniMaia

“Freixo se espalda numa sinalização de apoio num acordo feito por Lula com a cúpula do PSB, e passando por cima do deputado Molon, nome principal da legenda no Rio. Dado condicional bastante fluido para quem conhece a data de validade dos compromissos eleitorais assumidos por Lula.

“Freixo já era militante petista em 1998 quando Lula, em janeiro, numa plenária partidária na UERJ, sala cheia, declarou publicamente que se Vladimir Palmeira vencesse a Convenção Eleitoral, ele não hesitaria em apoiá-lo. Vladimir venceu. E Lula não hesitou em mexer sua influência pessoal sobre a direção partidária de molde a promover uma vergonhosa intervenção em favor de Garotinha.

“O que vai ocorrer em 2022, a despeito das movimentações atuais, ninguém pode garantir. Quem assina a certeza de que tanto Lula quanto Bolsonaro estarão no pleito presidencial? Mais ainda. Quem assina que Paes e MiniMaia, que já controlam a capital, pretendam entregar o Estado do Rio a um egresso da esquerda radical, tendo um Felipe Santa Cruz à disposição?

Pré-candidatura

“São muitas as condicionantes. Que só provam estarmos diante de gente que grita ‘Fora Bolsonaro!’, mas que no fundo não cogita nem um pouco de defenestrá-lo via impeachment, aqui e agora. Querem-no cozinhado em fogo brando para que chegue desgastado à disputa decisiva, independentemente do que isso resulte em mais uma multidão de óbitos por conta da política negacionista, criminosa, em relação ao confronto com a covid.

“Essa aposta já foi feita em 2018. Seria o candidato ideal para a disputa com Fernando Haddad. Deu no que deu.

“Que Freixo não seja agente ativo na reprodução da tragédia, é o que podemos desejar. 

E Luta que Segue!! com a pré-candidatura de Glauber Braga marcando o território da esquerda combativa”, escreve Temer.

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