Frente de esquerda deveria marchar unida ainda no primeiro turno, defende Haddad

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Publicado quarta-feira, 17 de março de 2021 as 16:15, por: CdB

Ex-candidato que enfrentou Bolsonaro no segundo turno, Haddad lembrou que no ano que vem as regras eleitorais terão duas novidades com as quais será preciso saber trabalhar. A cláusula de barreira e a proibição de coligações proporcionais, que ameaçam até mesmo a existência de partidos menores de esquerda.

Por Redação – de São Paulo

No programa da série República e Democracia, transmitida pela TV Trabalhador (TVT) na noite passada, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad falou das responsabilidades “enormes” da esquerda nas eleições de 2022, para derrotar o protofascismo e obscurantismo do governo de extrema-direita de Jair Bolsonaro.

— É preciso criar constrangimentos políticos concretos para que a centro-direita não tome a posição que tomou em 2018, de se omitir ou angariar mais apoio a Bolsonaro — disse.

Haddad representa o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições deste ano
Haddad representou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2018

Segundo o ex-prefeito, o atual presidente poderia ter perdido o pleito em 2018 se tivesse havido mais unidade entre os democratas.

Chapa forte

Ex-candidato que enfrentou Bolsonaro no segundo turno, Haddad lembrou que no ano que vem as regras eleitorais terão duas novidades com as quais será preciso saber trabalhar. A cláusula de barreira e a proibição de coligações proporcionais, que ameaçam até mesmo a existência de partidos menores de esquerda.

 Sobre eventuais alianças, como não haverá coligação, “a unidade se dá no segundo turno”. Mas isso, segundo ele, “não descarta a necessidade de, se possível, compormos uma chapa forte já no primeiro turno, única, do setor progressista”, para derrotar definitivamente a extrema-direita. Na avaliação do petista, a eleição será “de tipo novo”, por contar com a extrema-direita no poder, o que não deve ser desconsiderado.

O presidente do PSOL, Juliano Medeiros, participante da live – entre as coisas que lhe causarem “aflição” – mencionou a “desdemocratização do Brasil”, que vem desde o impeachment de Dilma Rousseff.

— Nesse contexto, Bolsonaro se elegeu — observou.

‘Narrativa’

Medeiros afirmou também que, apesar da vitória da democracia na semana passada – com a anulação das condenações de Lula pelo Supremo Tribunal Federal –, o triunfo ainda é parcial.

O julgamento da suspeição do juiz Sergio Moro ainda não foi concluído na Segunda Turma do STF, e está empatado em 2 votos a 2. Falta o voto do ministro Nunes Marques, que pediu vista do julgamento.

Mesmo com as revelações que comprometem a Lava Jato, e caso a suspeição de Moro seja confirmada, isso não será suficiente para derrotar a “narrativa” do combate à corrupção.

— Essa narrativa foi muito bem construída para associar a corrupção à esquerda e continua sendo alimentada pelos adversários da democracia — acrescentou Medeiros.

Para Haddad, várias esferas da sociedade brasileira já têm consciência de que é preciso se livrar de Bolsonaro.

— Tenho visto declarações recorrentes de lideranças de centro-direita de que com Bolsonaro não dá. O país corre enormes riscos institucionais, econômicos, sociais, humanitários, ambientais, e isolamento no mundo — afirmou.

Impeachment

Não é apenas no campo político que Bolsonaro se desgasta. O artigo da economista Maria Cristina Fernandes, publicado pela mídia conservadora, na véspera, aponta que anda a passos largos “o completo divórcio entre o bolsonarismo raiz e seus eleitores na elite econômica do país”. Isso pode ser detectado por compartilhamentos de conteúdos de vídeo “que vão da crítica contundente ao (pedido de) impeachment do presidente”.

O vídeo citado define o “caos” no país: vexame no exterior, desvalorização do real, fuga de investidores; ministros desqualificados como Damares Alves, escândalo Flávio/Queiroz; destruição da Amazônia, fechamento de portas para Mercosul; União Europeia e China. Entre uma série de outras mazelas definidas pelos idealizadores está o “custo Bolsonaro”, com o qual “a conta não fecha”, conclui.