Frigoríficos brasileiros compram gado criado em área de desmatamento, diz Greenpeace 

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Publicado quinta-feira, 4 de junho de 2020 as 13:09, por: CdB

O relatório fornece uma janela para a chamada lavagem de gado, na qual os bois criados em terras desmatadas ilegalmente são transportados entre fazendas para esconder suas origens.

Por Redação, com Reuters – de São Paulo

Os frigoríficos brasileiros JBS, Marfrig e Minerva compraram milhares de cabeças de gado ligados ao desmatamento da Floresta Amazônica desde 2018, afirmou o Greenpeace Brasil em um relatório publicado nesta quinta-feira.

Empresas frigoríficas promovem a ‘lavagem de bois vivos’, segundo denúncia da ONG Greenpeace

O relatório fornece uma janela para a chamada lavagem de gado, na qual os bois criados em terras desmatadas ilegalmente são transportados entre fazendas para esconder suas origens.

A pecuária é uma das principais causas do desmatamento da Amazônia, que atingiu maior nível em 11 anos no Brasil no último ano. As pastagens de gado ocupam cerca de 60% da área desmatada da floresta, segundo dados publicados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em 2016.

Paredão

Os três frigoríficos teriam comprado gado de uma fazenda chamada Barra Mansa, no Mato Grosso, entre janeiro de 2018 e julho de 2019, sendo que a JBS adquiriu pelo menos 6.000 bovinos, a Minerva comprou pelo menos 2.000 e a Marfrig outros 300, de acordo com investigação do Greenpeace.

Durante esse período, pelo menos 4 mil cabeças de gado foram transferidas para a Barra Mansa de uma fazenda próxima, chamada Paredão, disse o Greenpeace. Paredão está ilegalmente localizada dentro de um parque estadual amplamente desmatado, segundo registros de terras e dados de desmatamento por satélite. 

Registros públicos mostram que as fazendas compartilham um proprietário, Marcos Antonio Assi Tozzatti. Os números de telefone listados para uma empresa vinculada a uma das fazendas e registrados no nome de Tozzatti estavam desconectados.

Questionadas sobre as alegações, JBS, Minerva e Marfrig reafirmaram em declarações à agência inglesa de notícias Reuters compromissos assumidos desde 2009 de não comprar gado de áreas desmatadas ilegalmente ou de fazendas sob embargo ambiental.