Fuga de capitais e redução drástica nos investimentos abalam a economia

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Publicado quarta-feira, 25 de novembro de 2020 as 19:47, por: CdB

Desde 2019, contudo, o Brasil a fuga de capitais se intensificou, segundo dados da B3, a Bolsa de Valores de São Paulo. Nos primeiros oito meses deste ano, US$ 15,2 bilhões deixaram o país. Trata-se do maior volume para o período desde que o Banco Central desde o início dessas estatísticas, em 1982.

Por Redação, com ABr – de Brasília

A crise gerada pela pandemia do novo coronavírus (covid-19), aliada à gestão duvidosa da questão fiscal, no país, tem ampliado a redução dos investimentos estrangeiros no setor produtivo; além da constante fuga de capitais observada desde o golpe de Estado, em 2016. Alguns investimentos pontuais em ações, títulos e fundos de investimento, no entanto, mostram sinais de reação, segundo dados do Banco Central (BC) divulgados nesta quarta-feira.

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Apesar das seguidas altas nas bolsas de valores do país, a redução no volume de investimentos acende o sinal vermelho no Banco Central

Desde 2019, contudo, o Brasil a fuga de capitais se intensificou, segundo dados da B3, a Bolsa de Valores de São Paulo. Nos primeiros oito meses deste ano, US$ 15,2 bilhões deixaram o país. Trata-se do maior volume para o período desde que o Banco Central desde o início dessas estatísticas, em 1982. Ao mesmo tempo, investidores estrangeiros retiraram R$ 88,2 bilhões da Bolsa brasileira de janeiro a 29 de setembro deste ano, o dobro do registrado em todo o ano passado.

Em uma queda brutal, no caso dos investimentos diretos no país (IDP), os ingressos líquidos, aqueles destinados ao setor produtivo da economia, somaram US$ 1,793 bilhão no mês passado, ante US$ 8,221 bilhões em outubro de 2019. De janeiro a outubro, o IDP chegou a US$ 31,914 bilhões, ante US$ 57,615 bilhões nos dez meses de 2019, com recuo massivo de 44,6%.

Contaminação

Nos 12 meses encerrados em outubro de 2020, o IDP totalizou US$ 43,5 bilhões, o correspondente a 2,94% do PIB, em comparação a US$ 49,9 bilhões (3,29% do PIB) acumulados em 12 meses até setembro deste ano. Segundo o chefe do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha, as incertezas sobre a duração da crise gerada pelo novo coronavírus fazem com que investidores estrangeiros adiem os planos de aplicação de recursos no país.

— O adiamento é para esperar ter menor incerteza se vai ter segunda onda, se vai diminuir a contaminação, quando vai ter vacina com efetiva imunização — acredita Rocha.

Até o dia 20 deste mês, o IDP somou US$ 558 milhões e a expectativa do BC é que feche em US$ 1 bilhão.

— Os lucros [dos investimentos estrangeiros] estão aumentando em relação aos valores mais baixos registrados há alguns meses, mas ainda não estão nos mesmos patamares do ano anterior. Esse aumento da remuneração do investimento pode ser um indicador (de retomada), mas nos dados até outubro e na parcial de novembro vemos mais uma estabilidade do que melhora — explicou Rocha.

Ações e títulos

Em outubro, os investimentos em carteira no mercado doméstico totalizaram ingressos líquidos (descontadas as saídas) de US$ 5,471 bilhões, dos quais US$ 2,671 bilhões em títulos de dívida e US$ 2,799 bilhões em ações e fundos de investimento.

Nos dez meses de 2020, houve saídas líquidas de US$ 21,603 bilhões contra o resultado também negativo de US$ 872 milhões, em período similar do ano passado. Até o dia 20 deste mês, o resultado parcial indica ingresso líquido total de US$ 6,134 bilhões. Segundo Rocha, os investimentos em ações, fundos e títulos foram os que reagiram mais rapidamente à crise gerada pela pandemia, com saída de recursos do país a partir de fevereiro. 

— Isso é esperado, os investimentos em portfólio reagem mais rapidamente mesmo. A partir de fevereiro e até maio, tivemos saída todos os meses. Essa saída atingiu US$ 35 bilhões, mas se concentrou em março, quando houve uma saída de US$ 22 bilhões — contabiliza.

Investimentos

Segundo o executivo, “o período de março a abril foi o mais difícil da pandemia tanto no Brasil quanto no exterior, com incerteza muito grande sobre o ritmo de contágio, a taxa de mortalidade e paralisação das atividades produtivas e comerciais em função do isolamento social”.

— Depois disso, a atividade econômica começou a voltar gradualmente. A partir de junho até outubro e também em novembro se a parcial se confirmar, são seis meses de ingressos (desses investimentos) — resumiu.

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