Futuro dos brasileiros está mais sombrio, segundo pesquisa FGV

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Publicado quarta-feira, 23 de maio de 2018 as 15:26, por: CdB

O resultado deveu-se ao recuo de 4,8 pontos do Índice de Expectativas (IE) que foi a 94,2 pontos, menor nível desde setembro de 2017 (93,1 pontos); segundo pesquisa da FGV.

 

Por Redação – de São Paulo

 

As expectativas pioraram com força e a confiança do consumidor brasileiro caiu em maio para o menor nível em sete meses, de acordo com os dados apresentados pela Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta quarta-feira.

IGP-10, pesquisa
Segundo pesquisa da FGV, os brasileiros fazem mais contas para tentar sobreviver

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) registrou queda de 2,5 pontos em maio e chegou a 86,9 pontos, segundo recuo seguido e o nível mais baixo desde os 85,8 pontos de outubro passado.

— A perda de otimismo atinge consumidores de todas as classes de renda e capitais e parece estar bastante relacionada às piores avaliações em relação às perspectivas para o emprego nos próximos meses — explicou a coordenadora da Sondagem do Consumidor, Viviane Seda Bittencourt.

O resultado deveu-se ao recuo de 4,8 pontos do Índice de Expectativas (IE) que foi a 94,2 pontos, menor nível desde setembro de 2017 (93,1 pontos).

Ritmo sustentado

Isso compensou o avanço de 0,9 ponto do Índice de Situação Atual (ISA), para 77,2 pontos, o segundo maior patamar desde março de 2015.

A atividade econômica no Brasil vem mostrando dificuldade de engatar um ritmo sustentado de crescimento, apesar da inflação e juros baixos, com o desemprego ainda elevado.

Outra fonte de incerteza é a eleição presidencial de outubro, cujo cenário ainda está bastante aberto poucos meses antes do pleito.

Quadro desolador

Outro fator que impacta nas decisões dos consumidores brasileiros é a depressão econômica, em curso. No primeiro trimestre de 2018, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgados na semana passada pelo (IBGE), a renda média mensal dos 20% mais vulneráveis do país caiu de R$ 400 para R$ 380 quando comparada à de janeiro/março de 2017. Trata-se de uma queda real de 5%.

Para a camada seguinte, a perda de rendimento foi de 1,8% em igual intervalo, de uma média de R$ 963, para R$ 945. Enquanto os 40% mais pobres apanham; os 20% mais ricos viram seu ganho médio mensal passar de R$ 5.579 para R$ 6.131. Um aumento de 10,8% no mesmo período.

O cenário é ainda mais desolador quando se olha para a mortalidade infantil. Estudo da Fiocruz mostra que o congelamento de gastos no Bolsa Família e Estratégia de Saúde da Família terão impacto direto na mortalidade de milhares de menores de até 5 até 2030.

Pirâmide

Serão quase 20 mil crianças, portanto, cujas mortes estão decretadas pela política recessiva produzida no atual golpe de Estado, em curso.

O estudo sobre a acelerada concentração renda este ano foi realizado pelo economista Daniel Duque. Ele é titular do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV).

— O que está acontecendo é que as classes média e alta do Brasil estão conseguindo recuperar a renda do trabalho; só que a base da pirâmide ainda está amargando perdas — afirmou Duque a jornalistas.

Dívidas

O quadro econômico, portanto, é de tal maneira desanimador para a maioria dos brasileiros, que mais da metade (56%) dos consumidores inadimplentes no cartão de crédito não regularizaram suas dívidas; mesmo após serem notificados pela empresa credora. Os dados constam de um levantamento feito em todas as capitais pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil); e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). Os dados foram divulgados nesta quarta-feira.

Trata-se do segundo tipo mais citado de conta em que a cobrança formal não resultou em quitação da dívida. Fica atrás apenas das mensalidades escolares, cuja incidência de não pagamento é de 57%.

Completam, portanto, o ranking das dívidas que possuem o índice mais significativo de não pagamento, mesmo após notificação; o cheque especial (54%); os empréstimos (54%) e até mesmo o financiamento de carros ou motos (51%). No geral, nestes casos, no entanto, há a tomada do bem em caso de não pagamento das parcelas.

Crédito

De acordo com a pesquisa, a eficiência das cobranças varia em função do segmento da conta em atraso. Compromissos com planos de saúde (77%); contas de internet (75%); são os tipos de compromissos que tiveram os maiores índices de sucesso nas cobranças para pagamento da dívida. Outros destaques também são as contas de luz (67%) e TV por assinatura (66%).

— A recessão econômica reduziu o poder de compra do consumidor. E impõe uma série de dificuldades para arcar com seus compromissos. Nesse contexto, o mercado de cobrança exerce papel importante; não apenas para recuperar o valor perdido pelas empresas. Mas também devolver o acesso ao crédito às famílias — conclui a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

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