Futuro chanceler sinaliza que Brasil descerá ao grupo dos países sectários

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Publicado terça-feira, 27 de novembro de 2018 as 13:53, por: CdB

O próximo ministro das Relações Exteriores ataca o marxismo, o PT; as universidades, a mídia, as “ideias anticristãs” e “o alarmismo climático”.

 

Por Redação – de Curitiba

 

Indicado para a chefia do Itamaraty, o diplomata Nélson Ernesto Araújo revelou, em artigo publicado nesta terça-feira, mais algumas facetas do que será o governo do presidente eleito, Jair Bolsonaro. No texto, Araújo ataca o marxismo, o PT; as universidades, a mídia, as “ideias anticristãs”; “o alarmismo climático, o terceiro-mundismo automático e a adesão às pautas abortistas”.

O futuro chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, acredita que nazismo é ideologia de esquerda
O futuro chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, acredita que nazismo é ideologia de esquerda

Não faltaram, no texto, críticas ao próprio Itamaraty e à Organização das Nações Unidas (ONU). O artigo foi publicado no diário paranaense de ultradireita Gazeta do Povo. O próximo ministro das Relações Exteriores reagiu com violência às críticas ao anúncio de seu nome, em 14 de novembro. A reação no Itamaraty foi de escândalo pelo fato sem precedentes de um diplomata júnior ser alçado ao comando da instituição secular.

Ideologias

Promovido há poucos meses a ministro de primeira classe, Araújo era chefe do Departamento de Estados Unidos e Canadá, um cargo de terceiro escalão no Instituto.

“Algumas pessoas gostariam que Jair Bolsonaro tivesse escolhido um chanceler que saísse pelo mundo pedindo desculpas. Jornalistas estão escandalizados, colegas diplomatas estão revoltados”, disse, na abertura do artigo.

Para o futuro chanceler, a principal meta a ser atingida será extirpar das relações internacionais brasileiras “a ideologia do PT”, o que incluiria acabar com a “transferência brutal de poder econômico em favor de países não democráticos e marxistas”, como a Venezuela. Ele desconsidera que a política externa brasileira é de Estado, e não de governo e que mantinha uma consistência histórica desde a década de 1970, interrompida apenas pelo golpe de 2016.

Marxismo

Após de afirmar que “no idioma da ONU é impossível traduzir palavras como amor, fé e patriotismo”, Araújo defendeu um “mandato popular” no Itamaraty. Sinaliza, assim, uma ideologização sem precedentes nas relações internacionais do Brasil, ao nível do sectarismo próprio de nações distantes da laicidade e da democracia.

O ataque à ONU está em linha com aquela que é a grande referência global do futuro governo: o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump; que ataca as Nações Unidas com grande frequência.

“Você se satisfaz com o que escutou de sua professora de História numa aula do ensino médio, nunca mais estudou nada sobre marxismo ou qualquer outra corrente ideológica, e agora vem pontificar e tentar me dizer o que é ou o que não é ideologia? Os marxistas culturais de hoje dizem que o ‘marxismo cultural’ não existe e você acredita, simplesmente porque não tem os elementos de juízo e o conhecimento necessário”, escreveu o futuro ministro. Ele deixa claro, mais uma vez, que sua chegada ao Itamaraty provocará uma série de crises internas.

‘Caça às bruxas’

Araújo critica que a ideologia marxista tenha penetrado “insidiosamente na cultura e no comportamento, nas relações internacionais, na família e em toda parte”, com o objetivo de controle social.

Um outro aspecto chama atenção ao transparecer que haverá uma espécie de ‘caça às bruxas’ e um tempo inédito de perseguições políticas no Itamaraty:

“Se você repudia a ‘ideologia do PT’, mas não sabe o que ela é, desculpe, mas você não está capacitado para combatê-la e retirá-la do Itamaraty ou de onde quer que seja. Ao contrário, você está ajudando a perpetuá-la sob novas formas. Se a prioridade é extrair a ideologia de dentro do Itamaraty, não lhe parece conveniente ter um chanceler capaz de compreender a ideologia que existe dentro do Itamaraty?”, conclui.

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