Generais afastam Bolsonaro e assumem controle da luta contra o novo coronavírus

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Publicado sexta-feira, 3 de abril de 2020 as 16:14, por: CdB

A nova função determinada ao general Braga Neto, recente interventor do Estado do Rio, está determinada na “figura de Estado-Maior Nacional”. Essa deliberação, segundo o site, “já foi comunicada, com os devidos cuidados, aos ministros e às principais autoridades dos Três Poderes”.

Por Redação – de Brasília e São Paulo

O presidente Jair Bolsonaro sai da posição de condutor para simples passageiro, na crise do novo coronavírus, e quem passa a dirigir o país, de fato, uma junta militar coordenada pelo general-de-Exército Braga Neto, ministro-chefe da Casa Civil. A conclusão é do site defesa.Net, de orientação militarista e de extrema-direita.

O general Braga Neto comandou a intervenção militar no Estado do Rio de Janeiro
O general Braga Neto comandou a intervenção militar no Estado do Rio de Janeiro e, agora, coordena a guerra contra o novo coronavírus

A nova função do general Braga Neto, recente interventor do Estado do Rio, está determinada na “figura de Estado-Maior Nacional”. Essa deliberação, segundo o site, “já foi comunicada, com os devidos cuidados, aos ministros e às principais autoridades dos Três Poderes”.

‘P… nenhuma!’

Ao menos por enquanto, durante a crise do novo coronavírus, “o general será o ‘presidente operacional’ do Brasil. Braga Neto assume para distender e organizar”, acrescenta o texto.

Tal determinação, ainda de acordo com o defesa.Net, explica a mensagem do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), o Carluxo ou ’02’, conforme também é conhecido, em uma rede social, na última terça-feira, aniversário do golpe de Estado de 1964. A importância dos militares foi reduzida a zero, no Twitter, e o ato “foi visto pelo Alto-Comando como o estertor de uma situação passada, contaminada por trotskistas de direita”, acrescenta o site.

“É muito mais valoroso conversar com um humilde inteligente soldado do que com um general que não apita p… nenhuma!”, escreveu o 02.

Todos contra

A difícil situação política do mandatário neofascista também está espelhada na declaração do general da reserva e ex-comandante do Exército Eduardo Villas Bôas. Ele, que divulgou no twitter uma nota contundente de apoio à política de Jair Bolsonaro contra a quarentena, na última segunda-feira, reconhece nesta sexta-feira que “está todo mundo contra ele”.

O militar, gravemente enfermo com uma doença degenerativa, foi decisivo no golpe de Estado de 2016 e na proibição da candidatura do ex-presidente Lula às eleições de 2018, viabilizando a eleição de Bolsonaro.

— Eu acho que o problema para ele é que está todo mundo contra ele. A mídia, principalmente. Nacional e internacional. Particularmente me preocupo com os panelaços. Pode significar perda de apoio. Isso psicologicamente é negativo — disse, em entrevista a um dos diários conservadores paulistanos.

Segundo o general, ainda ”está muito cedo para falar de reeleição”.

— Mas panelaços podem demonstrar uma perda de apoio, embora estejam concentrados nos grandes centros — afirmou.

Denúncia

Se não sair pela via eleitoral, outra alternativa que se coloca para o afastamento de Jair Bolsonaro está nos meios jurídicos. O presidente brasileiro foi denunciado, nesta semana, por crime contra a humanidade no Tribunal Penal Internacional (TPI), pela Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD).

Os advogados afirmam que Bolsonaro coloca em risco a vida da população brasileira diante da pandemia causada pelo novo coronavírus. Foi solicitado ao TPI que instaure um procedimento jurídico para investigar a conduta do presidente.

“Por ação ou omissão, Bolsonaro coloca a vida da população em risco, cometendo crimes e merecendo a atuação do Tribunal Penal Internacional para a proteção da vida de milhares de pessoas”, resumem os juristas no documento protocolado pelos advogados Ricardo Franco Pinto e Charles Kurmay.

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