Generais mantêm Bolsonaro controlado mas ‘Gabinete do Ódio’ ainda atua

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Publicado terça-feira, 7 de abril de 2020 as 14:20, por: CdB

Mourão define, assim, a nova fórmula do poder, no Palácio do Planalto, quando Bolsonaro passa de piloto a passageiro, em seu próprio governo. Os militares, no centro da gestão Bolsonaro, reportam-se ao ministro da Casa Civil, general Walter Braga Neto, como o chefe da intervenção no governo federal. 

Por Redação – de Brasília

Vice-presidente da República, o general Hamilton Mourão tem servido de porta-voz informal aos militares que, na véspera, controlaram o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), para que ele não demitisse o ministro da Saúde, Henrique Mandetta, e colocasse seu governo em rota de colisão com os demais Poderes da República.

Em entrevista, Mourão desenhou o novo perfil do poder, no Palácio do Planalto, com o general Braga Netto no comando

— Braga Netto é o homem certo, no lugar certo, na hora certa — afirmou Mourão, ao diário conservador paulistano O Estado de S. Paulo, nesta terça-feira.

Mourão define, assim, a nova fórmula do poder, no Palácio do Planalto, quando Bolsonaro passa de piloto a passageiro, em seu próprio governo. Os militares, no centro da gestão Bolsonaro, reportam-se ao ministro da Casa Civil, general Walter Braga Neto, como o chefe da intervenção no governo federal.

Bagunça

Ainda segundo Mourão, não se trata de “enquadrar” o presidente da República, mas assumir o controle de uma administração que marchava, célere, para o caos.

— Ele não está enquadrando ninguém, mas apenas fazendo a verdadeira governança. Assim, a Casa Civil passa a atuar como um verdadeiro centro de governo — desenha.

O vice-presidente admite que seu companheiro de governo não está apto a gerir o país.

— Braga Neto está fazendo o que sabemos: colocar ordem na casa, coordenando as ações ministeriais, de modo que haja sinergia, cooperação e, como consequência, os esforços do governo sejam mais eficazes — admite

Cúpula militar

Na análise de Val Carvalho, articulista do Correio do Brasil, o que houve foi um “contragolpe preventivo”, embora o chamado ‘Gabinete do Ódio’ não tenha sido inteiramente desarticulado, o que significa um risco latente ao país e uma pilha de mortos a mais, no rastro da pandemia.

“Nos comentários que fazemos sempre procuramos chamar as coisas da política pelos seus verdadeiros nomes. Embora exerça o cargo formal de presidente, Bolsonaro vem tentando, sem êxito, dar um golpe contra a quarentena determinada por seu ministro da Saúde, que conta com o apoio da cúpula militar, do vice-presidente, dos governadores, de parte da grande mídia e da maioria da sociedade”, escreve Val Carvalho.

Leia todo o artigo, adiante:

“Ou seja, em torno da defesa da quarentena oficial se formou uma espécie de poder paralelo, legitimado por aquela ampla articulação social, republicana e federativa.

O chamado ‘governo operacional’, criado pelos militares e sob a direção do general Braga Neto, também chefe da Casa Civil, representou um verdadeiro contragolpe para garantir a quarentena. Seu primeiro ato foi obrigar Bolsonaro a ler aquele pronunciamento defendendo a unidade. Já no dia seguinte o capitão chutou o pau da barraca, pois ele não aceita ser uma ‘Rainha da Inglaterra’.

Inflado pelo apoio revelado na última pesquisa do DataFolha, Bolsonaro tentou demitir Mandetta, o que seria um desafio ao governo operacional do general Braga Netto e uma vitória de seu golpe contra a quarentena, contra o Congresso e os governadores.

Playground

Mas, novamente, o que prevaleceu foi contragolpe parcial dos militares, que seguraram a caneta de Bolsonaro e evitaram a demissão de Mandetta, garantindo assim a continuidade do isolamento social.

Contudo, essa fórmula híbrida de poder é ineficaz, no médio prazo, pois como não afasta de vez Bolsonaro da Presidência, o seria o certo se fazer, permite que este mobilize a sua força política para continuar sabotando a quarentena; desinformando o povo, criando crises diplomáticas. Dificulta o Estado a adotar as medidas necessárias, como o auxílio-emergencial, a compra de respiradores; a produção de máscaras para distribuição gratuita, entre outras iniciativas.

Ao contrário do que pensam alguns, o contragolpe dos militares não conseguiu transformar Bolsonaro numa “rainha da Inglaterra”, ou o isolar no playground para brincar com seus amiguinhos bolsominions. Com o apoio social que tem, ele continuará desafiando o governo militar para reassumir plenamente seus poderes presidenciais.

Por conta dessa divisão do governo e indefinição política, o Brasil se tornou uma ameaça para os demais países da América Latina, pois faz fronteiras com quase todos; além de estar isolado internacionalmente.

Pandemia

Portanto a crise institucional e política terá novos capítulos. E isso, em meio ao avanço da pandemia que, segundo as projeções oficiais, terá seu pico nos meses de abril e maio, significa centenas de milhares de infectados e milhares de mortos.

O momento é de união nacional, acima das divergências políticas e ideológicas e por isso não podemos tolerar o presidente agindo como inimigo da vida e sabotando diariamente os esforços nacionais contra a pandemia.

Mais do que nunca a defesa da vida depende, diretamente, do afastamento definitivo de Bolsonaro da Presidência. Infelizmente, grande parte das pessoas somente se convencerá disso quando ver as mortes se aproximando de suas cidades e de suas famílias”.

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