Globo amplia guerra ao prefeito do Rio após denúncia contra Fundação Roberto Marinho

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Publicado domingo, 28 de julho de 2019 as 12:00, por: CdB

“O atual prefeito do Rio, mais uma vez, mente e manipula fatos para esconder as graves denúncias que atingem a sua gestão”, afirma nota da Globo, encaminhada neste domingo ao Correio do Brasil.

 

Por Redação – do Rio de Janeiro

 

As Organizações Globo, grupo de empresas mantenedor da Fundação Roberto Marinho (FRM) ampliou a guerra contra o prefeito da Cidade, Marcelo Crivella, ao chamá-lo de “irresponsável” e o acusar de “esconder as graves denúncias que atingem a sua gestão”. A secretaria municipal de Educação divulgou relatório no qual aponta o uso de recursos supostamente desviados da merenda escolar para o financiamento do Museu de Arte do Rio (MAR), em contratos irregulares com a FMR.

Crivella é sobrinho do bispo Macedo, dono da Rede Record, arquirrival das Organizações Globo
Crivella é sobrinho do bispo Macedo, dono da Rede Record, arquirrival das Organizações Globo

“O atual prefeito do Rio, mais uma vez, mente e manipula fatos para esconder as graves denúncias que atingem a sua gestão. A tentativa do prefeito de equiparar a Fundação Roberto Marinho ao pacote de verbas que a sua administração na Prefeitura aprova sem licitação, é, no mínimo, irresponsável”, afirma nota da Globo, encaminhada neste domingo ao Correio do Brasil.

Ainda segundo a nota, “o Grupo Globo repudia com veemência as declarações do prefeito e reafirma que os contratos assinados pela Fundação Roberto Marinho com o município do Rio de Janeiro estão em perfeita conformidade com a legislação aplicável, em especial a Lei 8.666/1993. Passaram por todos os estágios de aprovação necessários e foram executados dentro dos princípios da transparência, moralidade, legalidade e eficiência. Todas as ações da Fundação Roberto Marinho podem ser acompanhadas por qualquer cidadão pelo site http://frm.org.br/acoes/

Jornalismo

“Vale destacar ainda que a Fundação Roberto Marinho é permanentemente fiscalizada pelo Ministério Público, sendo uma instituição sem fins lucrativos, que há quase meio século dedica sua expertise única no país exclusivamente a projetos de interesse público, inclusive na área museológica. Foi responsável pela criação e implementação de alguns dos museus mais visitados do Brasil, entre eles o Museu do Amanhã e o Museu de Arte do Rio.

A Globo chama as denúncias contra a FRM de “ataques inconsequentes do atual Prefeito do Rio” e reforça a “necessidade de uma imprensa atenta e vigilante, que leve ao cidadão carioca a real situação de sua cidade, trabalho que o jornalismo do Grupo Globo tem feito e continuará a fazer, independentemente das retaliações do prefeito”, promete.

“Sorte teria o cidadão carioca se a criatividade e a competência que o prefeito demonstra para inventar denúncias pudessem ser aplicadas à sua gestão”, resume a nota.

Gestores

Na véspera, a prefeitura denunciou que as obras do MAR foram pagas com verba destinada à alimentação de alunos e obras na rede municipal. Segundo auditoria nos 14 contratos da Fundação, todos assinados na gestão passada e feitos sem licitação, teria havido o “uso indevido de parte dos R$ 214,5 milhões recebidos pelo maior grupo de comunicação da América Latina”, afirmou a prefeitura.

Por ordem do prefeito Marcelo Crivella, a Secretaria Municipal de Educação realizou a auditoria “em oito contratos sem licitação realizados pela gestão passada com a Fundação Roberto Marinho”, acrescenta.

“Um deles chamou muito a atenção dos atuais gestores da SME: o processo número 70037752011, que teve como objeto a ‘execução de serviços visando a concpção de conteúdos e as obras de implantação da Escola do Olhar’, no Museu de Arte do Rio, de 2011, com valor inicial de R$ 32.364.179,46”, denuncia.

Merenda

Segundo o documento, “o valor executado do serviço foi de R$ 21.182.089,73, mas atualizado hoje pelo IPCA-E, chega à casa de R$ 33.362.763,58. O mais grave é que o investimento teve como fonte do recurso a chamada ‘Fonte 107’, do Salário Educação, que é comumente usada pela SME para investimento em pagamento de merenda escolar e reforma de escolas”, aponta a auditoria.

“Com o desvio de finalidade, a SME deixou de reformar cerca de 33 escolas e de pagar a merenda por cerca de dois meses na Rede Municipal de Ensino”, acrescenta.

O documento encaminhado ressalta que “o suposto propósito da Escola do Olhar, que foi inaugurado no MAR, é praticamente o mesmo da Escola de Formação Paulo Freire, inaugurada pela SME com o objetivo de valorizar e capacitar os professores e demais servidores da Educação, oferecendo formação inicial e continuada nas diversas áreas do conhecimento, atendendo, assim, às necessidades dos alunos da rede. Reiterando que os recursos utilizados para a construção desta Escola do Olhar, do MAR, foram retirados da fonte que é utilizada rotineiramente para aquisição de merenda escolar e de reforma de escolas”, conclui.

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