Google investe como nunca na pressão aos congressistas

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Publicado domingo, 28 de janeiro de 2018 as 15:37, por: CdB

O habitual é que os maiores gastos em lobby partam de grupos de interesse, sindicatos ou entidades setoriais, e não de empresas individualmente, a exemplo do Google, afirmam especialistas.

 

Por Redação, com El País – de Washington

 

O lobby, nos EUA, é uma atividade legalizada, “bem aceita e pode alcançar resultados favoráveis”, afirma reportagem do diário ultraconservador espanhol El País, publicada neste domingo. Segundo o diário, “não se trata de um trabalho de relações públicas; tampouco é uma ferramenta estritamente jurídica, mas o lobby faz parte do jogo do poder em Washington. E o Google acaba de se tornar a empresa que mais investe nessas práticas, até agora monopolizadas por outros setores ou por entidades empresariais”.

CEO do Google, Sundar Pichal apoia o investimento em lobby, nos EUA e no mundo
CEO do Google, Sundar Pichal apoia o investimento em lobby, nos EUA e no mundo

“As empresas do Vale do Silício são, nos últimos anos, as que mais dinheiro dedicam a melhorar sua imagem e penetrar nas estruturas do poder. O Google bateu o seu próprio recorde; com US$ 18 milhões (R$ 56,7 milhões) em 2017; situando-se pela primeira vez como a empresa que mais gastou para influenciar os legisladores. Desbanca assim setores que tradicionalmente faziam grandes lobbies, como a indústria do cigarro e a alimentícia”, acrescenta.

Google pressiona

Ainda segundo o jornal madrilenho, “o Centro de Política Reativa publicou dados sobre as diversas empresas que fazem lobby junto ao Governo federal. O buscador está no topo desse ranking. Exerceu pressão em temas diversos, como migração, reforma fiscal, diversidade, neutralidade da rede e publicidade on-line. A cifra gasta pela empresa está bem acima da despendida por outros gigantes das telecomunicações”.

“Amazon e Facebook também aparecem nesse ranking, mas bem abaixo, na 16ª. e 24ª. colocações, respectivamente. No exercício anterior, a liderança coube à Associação Nacional dos Corretores Imobiliários. O habitual é que os maiores gastos em lobby partam de grupos de interesse, sindicatos ou entidades setoriais, e não de empresas individualmente”.

Os dados constam do Centro de Política Reativa dos EUA, que há 30 anos compila estas informações. “Desde então, esta é a primeira vez que uma empresa específica lidera a lista. Sarah Bryner, coordenadora da pesquisa, disse ao portal de tecnologia Gizmodo que a companhia de Mountain View foi galgando posições a partir da 15ª colocação; até superar grupos que tradicionalmente demonstravam mais interesse em obter um marco legal favorável, como AT&T, a maior empresa de telecomunicações do país; e a Boeing, envolvida em questões de defesa, eletrônica e transporte aéreo”, acrescenta o diário.

‘Não seja mau’

Sarah Bryner observa que os novos líderes tecnológicos “já não estão mais em garagens inventando novos produtos”, pontua. Eles exercem, sim, sua influência fora da Internet.

— Há um mito muito enraizado. Considera-se que eles não intervêm em como o seu setor se posiciona politicamente — disse Bryner ao jornal.

“Chama a atenção o caso da Amazon, que gastou US$ 13 milhões (quase R$ 41 milhões). O Facebook ficou em US$ 11 milhões (R$ 34,7 milhões). A pesquisadora acredita que essas ações, embora sem terem um efeito imediato, servem para que suas opiniões sejam ouvidas e ofereçam pontos de vista diferentes.

— O Google sempre manteve o lema ‘don’t be evil’ (‘não seja mau’), e não há nada de mau em gastar dinheiro com política, mas é importante que a opinião pública saiba, que vigie — conclui.

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