Governo acena com liberação de verba,mas base mantém reclamações

Arquivado em: Arquivo CDB
Publicado terça-feira, 9 de novembro de 2004 as 20:19, por: CdB

O governo prometeu liberar 260 milhões de reais em emendas parlamentares como um primeiro aceno no esforço para acalmar os ânimos da base aliada, descontente com acordos não cumpridos e o ritmo lento de execução orçamentaria, e retomar as votações na Câmara dos Deputados, .

A liberação será feita entre esta e a próxima semana, segundo informações do Ministério da Coordenação Política. A decisão foi tomada em reunião da Junta Orçamentaria na segunda-feira.

Os líderes partidários que participaram de jantar com o presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), na noite de segunda-feira já sabiam dessa liberação, mas ainda assim saíram descontentes do encontro, que buscava um acordo para a votação das 21 medidas provisórias que trancam a pauta da Casa.

Os deputados ameaçam não votar nenhuma MP enquanto essas verbas não forem efetivamente disponibilizadas e novos recursos liberados. Foram pagos 400 milhões de reais em emendas referentes a restos a pagar do Orçamento de 2003, e o total deste ano soma 1 bilhão de reais em verbas a serem executadas.

“Os parlamentares se dispõem a votar se os acordos forem cumpridos”, disse a jornalistas nesta terça-feira o líder do PTB na Câmara, deputado José Múcio Monteiro (PE).

Segundo relatos de pessoas presentes ao jantar na residência de João Paulo, Múcio fez as reclamações mais contundentes. Ele e o líder do PL, deputado Sandro Mabel (GO), saíram do evento sem sequer jantar.

Outro motivo que também contribui para a insatisfação dos governistas é a não distribuição de cargos nas esferas do Executivo.

Aos partidos da oposição coube apenas uma tarefa durante o jantar: reclamar do grande número de MPs editadas pelo Executivo. O líder do PFL, deputado José Carlos Aleluia (BA), sequer fez discurso.

Segundo parlamentares que estiveram no jantar, o acordo firmado com ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo era de que os deputados teriam uma pequena parte de suas emendas liberadas antes da corrida municipal e, após o segundo turno, viriam as restantes. O problema é que este acordo não está sendo cumprido.

O governo justifica o atraso pelo fato de que a maioria das emendas seria liberada através de convênios firmados com os municípios, o que é proibido no período eleitoral.

Insatisfeitos com o ministro Aldo Rebelo, João Paulo e o líder do governo na Câmara, deputado Professor Luizinho (PT-SP), foram nesta manhã ao Palácio do Planalto reportar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a extensa lista de reclamações.

Sem consenso no jantar, o almoço entre os líderes aliados e o presidente foi cancelado a pedido de João Paulo, para evitar constrangimentos. Para o deputado, não havia motivos para envolver Lula em discussões que ainda estão embrionárias entre os aliados.

“O presidente tem ministro, o presidente tem líder aqui na Casa, tem líder aqui no Congresso, ele tem representantes para resolver esses problemas. O presidente não pode se meter a resolver esses problemas. Os responsáveis diretos é que precisam tomar providências”, afirmou João Paulo.