Governo se afasta do mercado e ‘queima o filme’ de Guedes

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Publicado sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021 as 16:18, por: CdB

O ministro Paulo Guedes já havia se pronunciado, anteriormente, contrário ao auxílio emergencial sem o corte de despesas idêntico aos valores aplicados no benefício social. Ele chegou a cogitar a redução dos orçamentos de ministérios como a Educação e a Saúde.

Por Redação – de Brasília

O ministro da Fazenda, Paulo Guedes, ficou falando sozinho nesta sexta-feira com seus principais interlocutores do mercado financeiro, que reagiram mal à nova linha do governo de apoio a uma nova rodada do auxílio emergencial. Enquanto o índice da principal bolsa de valores brasileira, a B3, amargava uma queda de mais de 130 pontos percentuais, tanto o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), quanto o seu vice, general Hamilton Mourão (PRTB), davam de ombros para a reação.

Mourão disse que à medida que vai aparecendo, nós estamos deslocando os especialistas para lá, eles fazem a limpeza e pronto, a praia está em condições de banho
Mourão diz que o governo ‘não é escravo’ do mercado financeiro, em uma mudança no tom do discurso

—Minha gente, a gente não pode ser escravo do mercado. O presidente é obrigado a decidir para alguma forma de auxiliar essa gente. Vamos lembra, né, se ele disser que não vai auxiliar, ele vai tomar pau. Se ele diz que vai auxiliar, ele vai tomar pau também. Então, é uma situação difícil e julgo que ele vai buscar a melhor solução — disse Mourão, a jornalistas.

Guedes já havia se pronunciado, anteriormente, contrário ao auxílio emergencial sem o corte de despesas idêntico aos valores aplicados no benefício social. Ele chegou a cogitar a redução dos orçamentos de ministérios como a Educação e a Saúde.

Passar fome

Na noite passada, em uma transmissão pela internet, Bolsonaro disse que o mercado “fica irritadinho” com “qualquer negocinho”. Bolsonaro ainda questionou se “sabem o que é passar fome” ao defender a volta do benefício.

— O pessoal do mercado, qualquer coisa que se fala aqui, vocês ficam aí irritadinhos na ponta da linha, né. Sobe dólar, cai a Bolsa. Pessoal, se o Brasil aí não tiver um rumo, todo o mundo vai perder. Vocês também, pô. Então, vamos deixar de ser irritadinho que não vai levar a lugar nenhum — disse Bolsonaro.

E acrescentou:

— A gente está buscando soluções. Uma das maneiras de nós diminuirmos aqui o preço do combustível é se o dólar cair aqui dentro, mas qualquer negocinho, qualquer boato na imprensa, tá aí esse mercado nosso, irritadinho, né. Aí sobe o dólar. Todo mundo perde com isso, pessoal.

Bolsonaro disse ainda, na transmissão, que os investidores não podem se comportar da forma atual para sinalizar ao governo que não concorda com a prorrogação do auxílio.

— Pessoal, vocês sabem o que é passar fome? “— questiona Bolsonaro.

Vacinas

Nesta manhã, Mourão previu, ainda, que o Brasil precisará de três a quatro meses para ter uma produção de vacina capaz de dar início a um processo de vacinação consistente.

— Estão buscando uma solução. Em linhas gerais, ou você faz um crédito extraordinário, aí seria o tal do Orçamento de Guerra, ou corta dentro do nosso Orçamento para atender as necessidades. Não tem outra linha de ação fora (disso) — afirmou.

​Mourão também foi questionado sobre a ideia de Bolsonaro de, nesta sexta, encaminhar ao Congresso um projeto que estabelece que o ICMS sobre combustíveis, imposto estadual, será cobrado nas refinarias ou terá um valor fixo nos estados. Em sua live, o presidente disse que aguardava apenas um parecer do Ministério da Economia.

— Vai ter que ser decidido dentro do Congresso. É lei, vai ser decidido lá dentro, mexe com o interesse dos Estados. O presidente está buscando uma solução para o preço dos combustíveis, que todo mundo que enche o tanque do carro sabe que está um pouquinho salgado — concluiu.