Governo britânico aprova proposta de Brexit mais suave

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Publicado sábado, 7 de julho de 2018 as 13:57, por: CdB

Após horas de discussões, May destrava impasse em gabinete e garante apoio de seus ministros para plano que propõe relações econômicas mais próximas entre o Reino Unido e a União Europeia após saída do bloco

Por Redação, com DW – de Londres:

Após um acirrado impasse, o governo do Reino Unido chegou a um consenso sobre uma proposta para as futuras relações econômicas do país com a União Europeia (UE) após a saída do bloco no próximo ano, anunciou a primeira-ministra Theresa May na sexta-feira.

Em busca de um consenso, May e ministros estiveram reunidos na casa de campo da premiê em Chequers

Os ministros de governo discutiram o plano, defendido por May, durante horas na casa de campo da chefe de governo em Chequers. Enquanto isso, a premiê tentava unir seu gabinete altamente dividido sobre a questão, que diz respeito a acordos alfandegários com a UE no pós-Brexit.

Após a reunião, a primeira-ministra declarou que os ministros “concordaram com a posição coletiva do governo para o futuro das nossas negociações com a União Europeia”.

“O nosso plano é criar uma zona de livre comércio entre o Reino Unido e a UE que estabeleça um conjunto comum de regras para produtos industriais e agrícolas”, explicou May.

Com isso, ficam de fora do acordo o comércio de serviços, que representa a maior força da economia britânica, numa tentativa de garantir que o Reino Unido recupere sua “flexibilidade regulatória” após o divórcio com o bloco europeu, agendado para 29 de março de 2019.

O novo modelo permite que o Reino Unido realize novos acordos bilaterais com outras nações terceiras, uma condição para aqueles que defendem a recuperação do “controle do dinheiro, das leis e das fronteiras” britânicas.

– Esta é uma proposta que, acredito, será boa tanto para o Reino Unido quanto para a União Europeia. Estou ansiosa para que ela seja recebida positivamente – afirmou ela, acrescentando que mais detalhes do plano serão divulgados na próxima semana.

O acordo promete garantir que os produtos britânicos sejam fabricados seguindo os níveis de exigência atualmente impostos por Bruxelas. “Assim, evitamos atritos em termos de comércio, o que protege empregos e fontes de subsistência”, disse May. O plano impõe, no entanto, que qualquer mudança futura terá de ser aprovada pelo Parlamento britânico.

Os defensores do chamado “hard Brexit”, ou Brexit duro, dentro do Partido Conservador de May vêm pedindo há tempos por uma ruptura completa com o bloco, a fim de dar ao Reino Unido mais independência em relação às suas políticas de comércio e imigração.

Acordo

O acordo negociado nesta sexta-feira, contudo, parece destinado a apaziguar os ânimos de alguns membros pró-UE do partido, que defendem que Londres mantenha um relacionamento econômico mais próximo com o bloco, bem como os de empresas britânicas e europeias que almejam um comércio sem atritos no pró-Brexit.

Apesar de garantir uma vitória em casa, May pode enfrentar uma forte oposição à proposta dentro da União Europeia. O negociador-chefe do bloco para o Brexit, Michel Barnier, afirmou nesta sexta-feira que avaliará as propostas para ver se são “viáveis e realistas”.

Mais cedo, ele afirmara a repórteres que Bruxelas não permitirá que o Reino Unido trate a União Europeia como um “grande supermercado”.