Governo, em dois anos, libera quantidade recorde dos agrotóxicos mais letais

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Publicado sexta-feira, 1 de janeiro de 2021 as 18:44, por: CdB

Uma parcela significativa dos agrotóxicos que tiveram liberação nos dois anos de governo Bolsonaro são produzidos exclusivamente na China.

Por Redação, com RBA – de São Paulo

Se está patinando em adquirir até insumos básicos para viabilizar a vacinação da população brasileira para debelar a pandemia da covid-19, em seus dois anos de existência o governo Bolsonaro fez a alegria dos fabricantes de venenos agrícolas. É que, fechado o ano de 2020, podemos contabilizar a liberação de 945 agrotóxicos. E muitos deles de alta periculosidade para a saúde humana e o meio ambiente (incluindo águas e solos).

O Brasil está envenenado
O Brasil está sendo envenenado, no campo, com os agrotóxicos mais letais já produzidos no mundo

“Um claro cinismo marca a atitude do presidente Jair Bolsonaro em face do uso da CoronaVac, vacina produzida e comercializada pela empresa chinesa Sinovac. É que todas as vacinas já desenvolvidas por outras empresas dependem de insumos produzidos na China para poderem ser produzidas. E vendidas a preços relativamente mais altos do que a da Sinovac. Além disso, uma parcela significativa dos agrotóxicos que tiveram liberação nos dois anos de governo Bolsonaro são produzidos exclusivamente na China. E sem que se ouça qualquer menção do presidente ou de algum dos seus filhos sobre o processo de envenenamento dos brasileiros pelos ‘agrotóxicos chineses”, ressalta o colunista da agência brasileira de notícias Rede Brasil Atual (RBA) Marcos Pedlowski.

Desatenção

Ainda segundo Pedlowski, “é preciso reconhecer que um dos grandes méritos da máquina de propaganda do governo Bolsonaro é desviar a atenção dos assuntos que realmente interessam. E inocular elementos paliativos e insignificantes na narrativa que molda a agenda política brasileira. Um dos complicadores acerca do debate necessário sobre o grave risco que o uso abusivo e indiscriminado de agrotóxicos altamente tóxicos pelos grandes latifundiários que controlam a pauta de exportação brasileira é que os partidos da esquerda institucional, mormente o PT, aparentemente não veem isso como um problema”.

O colunista ressalta, porém, que “a única exceção significativa nessa situação de aprovação tácita de um modelo de agricultura envenenada é o PSOL. Sua atuação resultou em 2016 na apresentação de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (a ADI 553). A ação questiona as imorais isenções fiscais dadas aos fabricantes de venenos agrícolas.

“Mas a falta de uma maior capacidade de mobilização política em torno da questão vem permitindo que a ADI 553 tramite na velocidade de um cágado de pata quebrada. E permitindo que o tsunami de aprovações de agrotóxicos gere bilhões de reais em lucros para as corporações que fabricam agrotóxicos”, conclui.

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