Governo indonésio aprova ofensiva contra separatistas

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Publicado terça-feira, 6 de maio de 2003 as 08:54, por: CdB

A presidente da Indonésia, Megawati Sukarnoputri, ordenou o lançamento de uma dura ofensiva militar na separatista província de Aceh, norte da ilha de Sumatra, para acabar com a resistência separatista, informaram fontes oficiais.

O ministro da Segurança da Indonésia, Susilo Bambang Yudhoyono, afirmou que a decisão da chefe de Estado aconteceu depois de uma reunião com seu Gabinete para avaliar o estado das negociações entre Jacarta e o Movimento para a Libertação de Aceh (GAM, em inglês).

Na semana passada, o Governo enviou novas tropas à província, situada a cerca de 1,8 quilômetro a noroeste de Jacarta, embora ainda não se tenha determinado a data em que serão inciadas as operações militares.

A ação do Exército em Aceh, onde morreram mais de 10 mil pessoas desde o início da luta independentista, em 1979, incluirá operações humanitárias e de respeito à lei, detalhou Yudhoyono.

O GAM, que luta há 26 anos pela independência da província, anunciou na sexta-feira passada que estava disposto a participar de novas conversas de paz com o Governo, mas não no prazo de 14 dias imposto por Jacarta.

Por sua vez, Megawati insistiu durante a reunião com seus ministros que as negociações só serão retomadas se a guerrilha renunciar à independência e aceitar uma autonomia especial para Aceh.

Além disso, a Indonésia pedirá à Suécia que tome medidas contra o líder do GAM, Hassan Tiro, que reside no país escandinavo com nacionalidade sueca, e dirige dali o governo no exílio.

– Tiro dirige o GAM desde a Suécia e cometeu rebelião, o que provocou a morte de civis, incluindo mulheres e crianças – afirmou o ministro da Segurança, considerando que seu país não pedirá a extradição do líder rebelde.

Os analistas, no entanto, acham que o Governo sueco não tomará nenhuma ação contra Tiro a menos que este viole as leis do país.

Enquanto isso, fontes militares em Banda Aceh, a capital da conflituosa província, informaram que três supostos rebeldes morreram na segunda-feira em diferentes conflitos com as forças de segurança.

O Governo e separatistas assinaram um acordo de paz em dezembro, mas este não foi respeitado por nenhuma das partes, e dezenas de pessoas morreram na província desde então.