Governo líbio acusa França de apoiar ofensiva rebelde a Trípoli

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Publicado domingo, 7 de abril de 2019 as 14:43, por: CdB

Segundo a Al Jazeera, que cita uma fonte oficial do governo líbio, Sarraj apresentou à embaixadora francesa Béatrice du Hellen um “forte protesto” e pediu formalmente que ela transmita a reclamação ao presidente Emmanuel Macron.

 

Por Redação, com Ansa – de Roma

 

O primeiro-ministro de união nacional da Líbia, Fayez al Sarraj, acusou a França de apoiar a ofensiva do general Khalifa Haftar, que já controla o leste do país e agora tenta conquistar a capital Trípoli.

Rebeldes líbios lutam contra o regime islâmico instaurado no país, após a morte de Gaddafi
Rebeldes líbios lutam contra o regime islâmico instaurado no país, após a morte de Gaddafi

Segundo a emissora árabe de TV Al Jazeera, que cita uma fonte oficial do governo líbio, Sarraj apresentou à embaixadora francesa Béatrice du Hellen um “forte protesto” e pediu formalmente que ela transmita a reclamação ao presidente Emmanuel Macron.

Em resposta, fontes do Ministério das Relações Exteriores da França disseram à ANSA que a notícia veiculada pela Al Jazeera “não reflete o teor do encontro” entre Sarraj e Hellen, embora não tenham revelado o que os dois teriam discutido.

Litoral

A suspeita de um apoio da França a Haftar encontra bastante eco na Itália, e até o presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, aliado próximo de Silvio Berlusconi, afirmou neste sábado (6) que Paris “tem interesses” na Líbia. “A França foi protagonista da morte de Kadafi junto com os americanos e britânicos, um erro histórico pelo qual nós pagamos o preço”, declarou.

A queda de Kadafi deu início a uma sangrenta guerra civil que culminaria na fragmentação política da Líbia, que, na prática, não existe hoje enquanto país unificado. Esse cenário possibilitou que traficantes de seres humanos tivessem livre trânsito no litoral do país para organizar viagens clandestinas no Mediterrâneo rumo à Itália.

Roma e Paris disputam por protagonismo na Líbia e já organizaram cada uma sua própria conferência internacional para solucionar a crise, mas ambas fracassaram. Enquanto a França é tida como próxima a Haftar, a Itália apoia Sarraj, que também é reconhecido pelas Nações Unidas (ONU).

Conflitos

A ofensiva do general para conquistar Trípoli foi lançada na última quinta-feira (4), 10 dias antes de uma conferência marcada pela ONU para tentar encaminhar a realização de eleições gerais na Líbia.

Segundo Haftar, que lidera as forças contrárias ao Islã político e comanda o Exército Nacional Líbio, principal grupo armado do país, o governo Sarraj é apoiado por “terroristas”. “Estendemos nossas mãos para a paz, mas após a agressão por parte de Haftar e de sua declaração de guerra contra nossa capital, ele não encontrará outra coisa que não força e firmeza”, disse Sarraj, em discurso na TV neste sábado.

O general, por sua vez, está se aproximando de Trípoli e neste domingo realizou seu primeiro ataque aéreo desde o início da ofensiva. Já o governo deu início a uma operação de contra-ataque batizada como “Vulcão de Raiva”. O número de mortos na periferia da capital já é de 21, incluindo quatro civis, enquanto as forças de Haftar contabilizam 14 baixas.

Em meio ao recrudescimento dos confrontos, os Estados Unidos evacuaram temporariamente um contingente militar que estava na Líbia. “Continuaremos monitorando as condições e a possiblidade de renovar a presença militar dos Estados Unidos”, diz um comunicado do comando americano na África.

Senhor da guerra

A Líbia se fragmentou politicamente após a queda de Muammar Kadafi, em 2011, e desde então é palco de conflitos entre milícias. Haftar é um dos principais personagens desse período e controla territórios no leste do país, tendo como “capital” a cidade de Tobruk.

O general não reconhece o governo de união nacional chefiado por Fayez al Sarraj, baseado em Trípoli, e conta com o apoio do Egito e dos Emirados Árabes Unidos, além de ter diversos poços de petróleo sob seu controle.

Ex-aliado de Kadafi, ele ajudou o coronel a derrubar o rei Idris, em 1969, mas rompeu com o ditador em 1987, após ter sido capturado no Chade. De lá, guiou, com o apoio da CIA, um fracassado golpe contra Kadafi. Por duas décadas viveu como exilado nos Estados Unidos e ganhou cidadania norte-americana.

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