Governos do PT erraram feio na comunicação, avalia Chico Malfitani

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Publicado segunda-feira, 4 de junho de 2018 as 15:05, por: CdB

Segundo Malfitani, esse descaso com a comunicação e o marketing político fizeram com que os sucessos dos 13 anos de gestão do PT fossem esquecidos pela população.

 

Por Redação – de São Paulo

 

Jornalista, publicitário e um analista preciso dos processos de comunicação política, no Brasil, Chico Malfitani, em recente artigo publicado em um dos diários conservadores paulistanos; critica a falta de empenho de governos de esquerda para disputar narrativas por meio do marketing. Nesse campo, afirma, a direita consegue ser mais efetiva.

O jornalista e publicita1rio Chico Malfitani tece dura crítica aos governo do PT, na área da comunicação
O jornalista e publicita1rio Chico Malfitani tece dura crítica aos governo do PT, na área da comunicação

Segundo Malfitani, esse descaso fez com que os sucessos dos 13 anos de gestão petista fossem esquecidos pela população.

— A esquerda acha que basta governar bem para ser reconhecido — avaliou o ex-secretário de Comunicação paulistano; na gestão da prefeita Luiza Erundina (PSB).

Marketing político

Malfitani conversou com a reportagem do Correio do Brasil, nesta segunda-feira e, pouco antes, com os jornalistas Marilu Cabañas e Glauco Faria, na Rádio Brasil Atual.

— A esquerda esteve no poder e veja o que fez de marketing para mostrar à população que a situação do país melhorou? — questiona.

— A esquerda não entende a importância do marketing. Nós vivemos numa sociedade de comunicação de massa e ela desconsidera isso — observa.

“Vou ser franco e direto: a direita brasileira é quase sempre mais competente em entender a importância da comunicação e do marketing do que a esquerda. Basta lembrarmos o descaso com que governos petistas de Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Fernando Haddad, por exemplo, trataram esses temas”, escreveu.

Esquerda e eleições

Para o analista, “o governo Dilma foi um desastre na comunicação e no marketing. Perdeu a batalha da comunicação da Copa do Mundo no país do futebol”.

“Os governos de esquerda acreditam que basta fazer o certo para receber reconhecimento. Desconhecem a importância do marketing numa sociedade de comunicação de massa. Na qual é preciso fazer e comunicar. A esquerda faz muito, mas comunica pouco e mal. A direita faz pouco, mas comunica muito e bem”, observa.

Para Malfitani, “a esquerda só lembra do marketing em época de eleição. E, dependendo do publicitário que coordena a comunicação, as campanhas por vezes ficam sem cara bem definida. Vendem muitas coisas ao mesmo tempo e deixam de dar o principal motivo para o eleitor escolher tal candidato”.

“E pior, quando candidatos de esquerda ganham a eleição, o eleito passa a tratar o marketing como assunto de terceira categoria. Afinal para que serviram os R$ 500 milhões gastos por ano em publicidade na Globo durante os governos do PT? Os comercias informaram para a população que os programas sociais, a ascensão da classe média e o crescimento econômico eram políticas públicas de um governo preocupado em diminuir a desigualdade social?”, pontua.

Corruptos

“Ou deixaram para as igrejas evangélicas afirmar que o crescimento de renda era fruto de algo divino ou dos dízimos? Quantos carros novos não vimos com adesivos “presente de Deus”?
Ou os governos de esquerda deixaram para o mercado vender a ideia de que era apenas fruto da tal “meritocracia”, como se as oportunidades fossem iguais para filhos de ricos e  pobres” acrescenta.

“Não estou nem falando da regulação dos meios de comunicação —medida necessária para impedir os indecentes e antidemocráticos monopólios de mídia como da Globo. Falo de políticas públicas de marketing e comunicação eficientes e com os recursos já previstos no orçamento”, define.

Ainda segundo o jornalista, “defender o Brasil é defender eleições livres e democráticas. Onde o povo e não um judiciário parcial decida o futuro dos brasileiros. Defender o país é defender emprego farto e digno. É defender o petróleo, nosso maior patrimônio. A maioria do nosso povo já sabe disso. Já sabe que caiu num engodo”.

“O povo sabe que essa pretensa caça aos corruptos é seletiva e tem objetivos políticos claros. Por isso Lula está em primeiro nas pesquisas. Por que no tempo dele o brasileiro vivia melhor. Mas, mais importante que defender Lula, é defender o Brasil”, enfatiza.

União das esquerdas

“Nesse caso, Aí sim a esquerda sai da bolha e se comunica com o Brasil que não está nos dois extremos. Mostra que existe um outro país possível, além desse de Temer e do mercado.
Já passou o tempo de a esquerda se unir e usar o marketing na defesa do Brasil para os brasileiros, que aguardam essa união”, e continua.

“Ou a esquerda vai deixar que o Bolsonaro continue usando a defesa do Brasil apenas como marketing eleitoral, mas batendo continência para a bandeira americana, como fez recentemente nos EUA? Vai esperar que outra novidade estilo Huck e Barbosa feche o círculo do marketing do combate à corrupção?”, questiona.

“O povo brasileiro quer o que esse pretenso combate à corrupção não conseguiu: o desenvolvimento, o crescimento econômico e de renda, empregos e o progresso de volta. Quer nossas riquezas e empresas defendidas. Quer a esperança, a alegria e o amor ao Brasil de volta.
Se a esquerda não se unir — o cenário ideal — e tiver dois; três ou quatro candidatos, pelo menos que todos defendam essa ideia poderosa. Isso não é apenas marketing, é muito mais que isso”, conclui.

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