A grandeza de Clarice Lispector

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Publicado sexta-feira, 11 de dezembro de 2020 as 09:57, por: CdB

Chaia nasceu em 10 de dezembro de 1920 na aldeia ucraniana de Chechelnyk, filha de uma família de judeus russos que naquela ocasião se preparava para deixar o país fugindo da perseguição antissemita, que cresceu na Guerra Civil russa de 1919-1920.

Por José Carlos Ruy – de São Paulo

Chaia nasceu em 10 de dezembro de 1920 na aldeia ucraniana de Chechelnyk, filha de uma família de judeus russos que naquela ocasião se preparava para deixar o país fugindo da perseguição antissemita, que cresceu na Guerra Civil russa de 1919-1920.

O brilho da escritora pernambucana nascida na Ucrânia é intenso no firmamento das escritoras
O brilho da escritora pernambucana nascida na Ucrânia é intenso no firmamento das escritoras

Em 1922 a família conseguiu passaportes, em Bucareste, e emigrou para o Brasil. Chaia tinha então pouco mais de um ano de idade. A família chegou a Maceió pouco depois e ali Chaia se tornou Clarice, nome que consideraram mais adequado à pronúncia local.

Nascia assim, no Brasil, Clarice Lispector, que se tornou a grande escritora e se definiu sempre como pernambucana e brasileira. Depois de pouco tempo em Maceió, a família se mudou para o Recife, onde morou até os 17 anos de Clarice que, muito tempo depois acentuaria, em uma entrevista, sua formação como pernambucana e brasileira. Nasci na Ucrânia, mas nunca cheguei a por os pés naquela terra pois era bebê de colo quando sai de lá, disse.

A vocação da escrita

Manifestou desde muito jovem a vocação da escrita e, aí pelos 20 anos de idade, tornou-se jornalista e publicou seus primeiros escritos literários. Tornou-se uma grande e sensível escritora. Renovou a escrita não só com seus monólogos interiores, que marcam os romances Água Viva, ou A Paixão Segundo G.H, nos quais a elegância da linguagem muitas vezes oculta a aspereza do diálogo interior. E também na denúncia tenaz da opressão da mulher, como em romances mais “acessíveis” como Laços de Família e, principalmente e, A Hora da Estrela, tema de um filme de sucesso. O romance conta a história de Macabeia, que sonhava em ser igual a Marilyn Monroe, mas era uma moça comum, fora dos padrões de beleza dominantes e só queria ser feliz. E que, ao final, se encontra com sua estrela, aquela que simboliza o automóvel Mercedes Benz, que a atropela.

A pernambucana Clarice Lispector se tornou uma das grandes estrelas do firmamento feminino da literatura. O redator do verbete “Clarice Lispector” na Wikipédia diz, sem dar a fonte, que, depois de Franz Kafka, ela foi a maior escritora de ascendência judia. Pode ser, é outra maneira de reconhece a grandeza de Clarice.

 

José Carlos Ruy, jornalista e historiador, é autor de Biografia da Nação – História e Luta de Classes.

As opiniões aqui expostas não representam necessariamente a opinião do Correio do Brasil

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