Greve do Banco do Brasil começa com repressão policial

Arquivado em: Brasil, Destaque do Dia, Últimas Notícias
Publicado quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021 as 14:01, por: CdB

Funcionários do Banco do Brasil realizam greve de 24 horas nesta quarta-feira contra o fechamento de agências, retirada de direitos e demissões. Uma reunião realizada na terça na sede do Ministério Público do Trabalho (MPT) com a direção do BB fracassou. Os trabalhadores apostam na mobilização da categoria para forçar uma nova negociação.

Por Redação, com RBA – de Brasília

Funcionários do Banco do Brasil realizam greve de 24 horas nesta quarta-feira contra o fechamento de agências, retirada de direitos e demissões. Uma reunião realizada na terça na sede do Ministério Público do Trabalho (MPT) com a direção do BB fracassou. Os trabalhadores apostam na mobilização da categoria para forçar uma nova negociação.

Em Brasília, policiais usaram cassetetes para reprimir os grevistas

Em diversas partes do país, as agências amanheceram fechadas. Na capital federal, durante a manhã, um grupo de 200 trabalhadores chegou a fechar a sede do BB, onde fica o cofre central. A direção do banco acionou a Polícia Militar, que usou bombas de gás e spray de pimenta para evacuar o local. Apesar da repressão, a adesão à paralisação é de cerca de 60% em todo o Plano Piloto, de acordo com o Sindicato dos Bancários de Brasília.

Em São Paulo, os trabalhadores também conseguiram fechar o cofre principal, que fica na região central da cidade. Não houve registro de ocorrência policial. A adesão também ocorre em diversas agências, segundo o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, que deve divulgar um balanço das atividades até o final do dia.

– A greve é importante para reivindicar respeito do banco por nós. Principalmente neste momento de pandemia, onde todo mundo está fazendo esforço hercúleo para manter as atividades do banco, gerando lucro. O BB deve soltar mais um resultado positivo amanhã. Isso é fruto do trabalho dos funcionários, não é por mágica – declarou o coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), João Fukunaga.

Desmonte do Banco do Brasil

Anunciado em janeiro, o “plano de restruturação” do BB, que os funcionários classificam de “desmonte“, deve começar a ser aplicado a partir desta quarta-feira. O plano prevê a demissão voluntária de 5 mil funcionários e o fechamento de 112 agências, 242 postos de atendimento e sete escritórios. Além disso, os bancários reclamam do descomissionamento de caixas e outras funções.

Foi justamente o fim das comissões para escriturários que exercem a função de caixa que causou o fim das negociação que estava sendo intermediada pelo MPT. O banco chegou a propor a suspensão do descomissionamento por 30 dias. No entanto, a proposta foi considerada insuficiente pelos trabalhadores. Fukunaga também afirmou que a direção do BB continua se negando a informar quais agências serão fechadas.

O fechamento dessas agências, segundo o dirigente, vai dificultar a oferta de crédito para os pequenos negócios, agravando ainda mais o cenário de desemprego no país. Por outro lado, o BB também é responsável pela quase totalidade do crédito concedido aos agricultores familiares. Como resultado, a produção deve ser prejudicada, pressionando o preço dos alimentos.

Ana Marta Lima, que é dirigente sindical, participou da paralisação em São Paulo. Ela alertou para a importância do trabalho dos caixas durante a pandemia:

Na capital mineira, o presidente do Sindicato dos Bancários de BH e Região, Ramon Peres, destacou que são os bancos públicos que fomentam a economia em pequenos municípios. De acordo com o dirigente, são 970 cidades no país que não contam com sequer uma agência dos bancos privados.

Greve e tuitaço

Além das paralisações e atividades presenciais, os trabalhadores do BB também estão promovendo atividades virtuais contra o plano de desmonte. Com as hashtags #MeuBBvalemais e #BBparado os bancários pretendem conscientizar sobre os danos decorrentes do fechamento das agências, angariando o apoio da população. Durante a manhã, o termo “Banco do Brasil” acumulou mais de 12 mil menções no Twitter.